Construção sem desperdício: como a gestão de resíduos virou estratégia nas obras brasileiras
O setor da construção civil é um dos maiores geradores de resíduos do Brasil. Estimativas do Conselho Nacional do Meio Ambiente indicam que os descartes de construção e demolição representam entre 50% e 70% do volume total de resíduos sólidos urbanos produzidos no país. Durante muito tempo, esse dado foi tratado como uma característica inevitável do setor. Hoje, porém, é visto como um problema com solução, e as empresas que entenderam isso primeiro estão colhendo vantagens que vão além da conformidade legal.
Muito além de uma obrigação regulatória, a gestão de resíduos na construção civil atualmente é também uma alavanca de eficiência operacional e competitividade. Construtoras que adotam práticas estruturadas de redução e reaproveitamento de resíduos relatam ganhos concretos em custo, prazo e qualidade, além de um posicionamento mais sólido junto a clientes e investidores que priorizam critérios ambientais na escolha de parceiros.
Esse movimento tem raízes em uma mudança de perspectiva dentro dos canteiros de obras. O desperdício de material, que antes era absorvido como custo operacional natural, passou a ser encarado como ineficiência mensurável e corrigível. Argamassa misturada em excesso, cortes de revestimento sem planejamento, embalagens descartadas sem reaproveitamento: cada um desses pontos representa uma perda que, somada ao longo de uma obra, pode comprometer de forma significativa a margem do projeto.
“A redução de resíduos começa na especificação. Quando o produto certo é escolhido para cada aplicação, com o rendimento adequado e a orientação técnica correta, o desperdício cai de forma natural. Não é apenas uma questão ambiental, mas sim de eficiência de obra”, afirma Jorge Lima, Diretor Técnico Comercial da Viapol, uma das principais empresas brasileiras especializadas em soluções para a construção civil.
Do lado dos fabricantes, a resposta a essa demanda tem passado pelo desenvolvimento de produtos com maior rendimento por aplicação e formulações que reduzem a necessidade de retrabalho. Sistemas de impermeabilização e argamassas de alto desempenho, além de entregarem resultados mais duradouros, geram menos resíduo por metro quadrado aplicado do que soluções convencionais.
A agenda de sustentabilidade também tem influenciado as decisões de compra. Incorporadoras e construtoras com metas de ESG passaram a exigir dos fornecedores informações sobre a pegada ambiental dos produtos e as práticas de descarte das embalagens, criando um ciclo em que a demanda por materiais mais sustentáveis incentiva a inovação em toda a cadeia.
“Construir com menos desperdício é mais do que uma resposta às pressões ambientais. É uma forma mais inteligente de executar projetos, que beneficia o resultado da obra, reduz custos e fortalece a reputação de quem atua no setor”, finaliza Lima.
