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Comunicação ambiental deve trabalhar para conscientizar a população pela preservação da natureza

Comunicação ambiental deve trabalhar para conscientizar a população pela preservação da natureza

Melhorias em índices de preservação da biodiversidade são reflexos do engajamento da sociedade pela proteção do meio ambiente

No próximo dia 22 de maio é comemorado o Dia Internacional da Biodiversidade, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar a população mundial sobre a importância da preservação da diversidade do planeta e alertar sobre os riscos que a sua perda representa.

Segundo pesquisa recente divulgada na Global Forest Watch pela Universidade de Maryland, em 2025, a redução do desmatamento de florestas tropicais no mundo foi liderada pelo Brasil, com queda de 42,4%, puxando a taxa mundial para 36%. O país avançou, registrando a menor perda desde o início da série histórica em 2002.

Ainda com números expressivos, a desflorestação afeta diretamente a perda de biodiversidade da fauna e flora, a vida das populações locais e o clima global.  A pressão política da população e o ativismo ambiental são essenciais para a luta pela preservação da nossa biodiversidade em todas as suas áreas que sofrem ataques e ameaças.

Conscientizar e alertar o público geral sobre a valorização da natureza é o objetivo central da Comunicação Ambiental, estratégia de informar e engajar o público geral com temas socioambientais. No artigo “Comunicação Ambiental no Brasil: uma área plural e diversa”, autoria de Eloisa Loose, publicado no Journal Of Science Communication, o termo é analisado através de pesquisa de Estado da arte, e é discutida sua presença e características na ciência brasileira.

“O estudo realizado aponta que esse desejo de uma Comunicação Ambiental propositiva e crítica segue sendo pontual na pesquisa brasileira. A produção acadêmica analisada, além de escassa, é pouco problematizadora, o que evidencia a instrumentalização da comunicação para objetivos ligados a diferentes concepções de meio ambiente”, pontuou o artigo.

No texto, é destacado que a Comunicação Ambiental (CA) é utilizada de forma generalizada entre diversos campos, como qualquer forma de comunicação preocupada com questões ambientais. Segundo a autora, integrante do GPJA, o debate ambiental dentro do campo da comunicação ainda é pouco institucionalizado, dependendo de iniciativas individuais de pesquisadores e professores. Mais presente nos estudos de Jornalismo, estudos como o de Wilson Bueno, professor da Universidade de São Paulo, popularizou a discussão em 2007 com o livro “Comunicação, jornalismo e meio ambiente: teoria e prática”. Nele, Bueno destacou como a Comunicação e o Jornalismo Ambiental podem ser exercidas por profissionais diversos.

Para tratar dos achados do estudo, a autora discute como a CA, muitas vezes vista como mais abrangente, interdisciplinar e educativa, foi apropriada no Brasil pelo mundo dos negócios. Seguiram-se termos relacionados à sustentabilidade, entraram nas discussões de mercado, geralmente com pouco posicionamento crítico e inúmeras alegações da utilização dos termos ambientais para promoção comercial. Termos da comunicação ambiental foram identificados como dispersos “com gradações diferentes de criticidade”, como marketing verde, ecopropaganda, jornalismo ambiental, cinema ambiental, e desse modo, esvaziados e com carência de definição específica sobre o que é meio ambiente ou sustentabilidade.

A comunicação pode ser um aliado essencial para transformar dados científicos e crises em consciência ecológica e consequente ação política, com impacto direto nas decisões tomadas pela preservação do meio ambiente. Melhorias em índices de preservação da biodiversidade são reflexos do engajamento da sociedade pela proteção do meio ambiente, o que pode e deve ser impulsionado por profissionais da comunicação.

  • Nico Costamilan

    Estudante de Jornalismo da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e bolsista de extensão do Observatório de Jornalismo Ambiental, vinculado ao Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS). 

  • Eloisa Beling Loose

    Professora e pesquisadora da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS) e coordenadora do Laboratório de Comunicação Climática (CNPq/UFRGS). Doutora em Comunicação pela UFRGS e doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela UFPR (Universidade Federal do Paraná).