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Bioma brasileiro é fonte de fibras e proteínas alternativas

Bioma brasileiro é fonte de fibras e proteínas alternativas

A busca por alimentação mais saudável e sustentável incentiva pesquisas com novos ingredientes para a indústria e a culinária caseira

Um projeto do Good Food Institute (GFI/Brasil) está avaliando o potencial nutritivo de espécies típicas de biomas nacionais como cerrado e Amazônia, com direito a estudos em várias universidades.

“A partir de pesquisas com empresas do mercado plant-based, identificamos a necessidade de encontrar uma maior variedade de matérias-primas, já que a maioria dos ingredientes usados nesses produtos é importada”, contextualiza Cristiana Ambiel, gerente de ciência e tecnologia da GFI.

Levando em conta a riqueza da nossa biodiversidade, o passo seguinte foi investigar plantas nativas capazes de suprir a cadeia de produção, beneficiar as comunidades locais e estimular a preservação ambiental. A partir de uma pré-seleção de 33 espécies, foram firmados contratos de colaboração com instituições que, ao longo de um ano, desenvolverão experimentos de olho no aproveitamento completo de seis vegetais.

“No caso da castanha-do-brasil, a extração hoje se concentra no fruto em si e no óleo. O restante é destinado à alimentação animal ou é descartado de forma inapropriada”, exemplifica Cristiana.

A ideia é voltar a atenção aos resíduos, tão ricos em proteínas, compostos bioativos e fibras, e descobrir como usá-los em hambúrgueres e nuggets vegetarianos, por exemplo.

Alguns exemplos

Guaraná

Espécie
Paullinia cupana

Origem
Amazônia

O que se pesquisa
Uma vez que a semente do fruto carrega 40% de fibras, o foco é estudar o uso da substância em produtos industrializados.

Potencial
Com peso cultural à mesa dos brasileiros, o xarope do guaraná é famoso pelo efeito energético e empregado em bebidas e alimentos. O desafio agora é trabalhar com os resíduos descartados ao longo do processamento.

Onde é estudado
Universidade Federal do Pará (UFPA)

Cupuaçu

Espécie
T. grandiflorum

Origem
Amazônia

O que se pesquisa
Desenvolvimento de pigmentos, aromas e fibras com capacidade de retenção de água e de óleo para uso culinário.

Potencial
Igualmente de olho na diminuição de sobras, os cientistas testam a casca do cupuaçu na elaboração de produtos plant-based. O projeto visa empregar tecnologias simples que possam ser replicáveis em pequenas comunidades.

Onde é estudado
Universidade Federal do Pará (UFPA)

Baru

Espécie
Dipteryx alata

Origem
Cerrado

O que se pesquisa
Aproveitamento dos subprodutos do processamento da amêndoa dessa oleaginosa.

Potencial
Para preservar essa espécie ameaçada em razão da extração predatória, pretende-se utilizar as matérias-primas resultantes da cadeia de processamento do fruto na geração de hambúrgueres com alto teor de proteína e fibras.

Onde é estudado
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano (IFGoiano) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Babaçu

Espécie
Attalea ssp

Origem
Amazônia

O que se pesquisa
Desenvolvimento de processo agroindustrial para transformação de resíduos dessa palmeira em ingrediente rico em fibras.

Potencial
A ideia é criar formas sustentáveis para pequenos produtores valorizarem o material subutilizado do babaçu, caso do óleo da amêndoa. A expectativa é que a extração seja usada na produção de produtos análogos a carne.

Onde é estudado
Embrapa Fortaleza

Macaúba

Espécie
Acrocomia aculeata

Origem
Cerrado

O que se pesquisa
Aplicação dos compostos bioativos, proteínas e pigmentos provenientes do óleo da palmeira.

Potencial
Com a macaúba presente em diferentes regiões do país, sendo que a maior concentração está no cerrado, a meta é o aproveitamento total, obtendo ingredientes para o desenvolvimento de pratos como um similar de empanado de frango.

Onde é estudada
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)