Projeto de educação ambiental beneficia quilombolas
A Comunidade Quilombola São Roque possui parte do território sobreposto aos Parques Nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral.
Localizada nos municípios de Praia Grande (SC) e Mampituba (RS), a Comunidade Quilombola São Roque possui parte do território sobreposto aos Parques Nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral. Neste mês, os moradores participaram da Feira Viva, uma iniciativa do projeto de educação ambiental que vem sendo desenvolvido pelas Unidades de Conservação (UCs).
O projeto de educação ambiental na Comunidade São Roque busca transformar as situações de conflito em oportunidades de melhoria da proteção do patrimônio natural e do desenvolvimento socioambiental dos moradores e do entorno dos parques. O fio condutor da ação educativa delineia novas perspectivas de convívio social e alternativas econômicas sustentáveis que gerem renda e melhoria da qualidade de vida da comunidade, valorizando os aspectos históricos e culturais que contribuíram com a preservação da área das unidades.
A iniciativa visa aproximar e sensibilizar as partes envolvidas, incluindo o conselho consultivo das UCs, a partir do desenvolvimento de um processo de troca de saberes e colaboração entre os atores locais. O objetivo é a retomada do diálogo com a comunidade e a construção equitativa e justa de alternativas econômicas que promovam a reprodução física e cultural digna dos quilombolas na área sobreposta, a partir de atividades de uso indireto dos recursos naturais, compatíveis com a categoria de manejo das UCs.
TERMO DE COMPROMISSO
Recentemente, teve início a execução de um Termo de Compromisso entre o ICMBio e a Comunidade de São Roque, prevendo a utilização de parte da área sobreposta para moradia e subsistência. A comunidade se desenvolveu ao longo dos dois últimos séculos quando negros escravizados desciam a serra buscando abrigo e melhores áreas de cultivo. Alguns deles ficavam nas roças durante todo o ano e assim se estabeleceram no local.
Com o histórico de conflito institucionalizado em razão da sobreposição, a gestão dos Parques buscou uma ação educativa de interação e cooperação institucional em torno de objetivos socioecológicos comuns nas áreas sobrepostas, materializado no projeto de educação ambiental.
A iniciativa envolveu a realização de oficinas participativas para o planejamento, sistematizando atividades semiestruturadas de coleta de dados. Um dos resultados foi a Feira Viva, evento que abordou a realidade da Comunidade, cujo produto foi um diagnóstico da identidade local que abrangeu temas como cultura, história, meio ambiente, saúde e turismo, sempre se baseando na troca de saberes entre os comunitários e outros atores sociais.
Na feira, foram apresentados vários elementos da cultura da comunidade, traduzidos no saber-fazer do próprio evento: mostra de artesanato com trabalhos em madeira entalhada, ferramentas tradicionais, venda de ervas e chás medicinais, produção agroecológica e orgânica, doces e culinária típica, confecção de balaios com fibras naturais, música e dança.

