Mundo deverá quadriplicar energias renováveis até 2050 para reverter mudanças climáticas
Se o mundo quiser evitar que as mudanças climáticas se tornem irreversíveis, o uso irrestrito de combustíveis fósseis deve acabar o quanto antes. Essa é a mensagem central de um novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado neste domingo (02) em Copenhage, na Dinamarca.
O IPCC recomenda que, em 2050, a maior parte da eletricidade do mundo precisará ser produzida a partir de fontes de baixo carbono. O texto diz ainda que os combustíveis fósseis, aqueles sem a captura e armazenamento de carbono, deverão ser extintos “quase totalmente” em 2100.
A síntese do relatório foi divulgada depois de uma semana de intenso debate entre cientistas e funcionários do governo. O estudo diz ainda que o mundo enfrenta “graves, generalizadas e irreversíveis” impactos sem ação efetiva sobre o carbono.
Os cientistas estipularam metas claras para a humanidade ao longo deste século. O relatório sugere que as fontes de energias renováveis terão de crescer a partir de sua participação atual de 30% para 80% do setor de energia até 2050. No longo prazo, o relatório afirma que “a geração de energia de combustíveis fósseis será eliminada quase totalmente por volta de 2100”.
O presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, informou que a eletricidade mais verde é fundamental.
– Se o mundo quer ir neste caminho de manter temperaturas aumentos abaixo de 2ºC até o final do século, teremos de triplicar ou quadruplicar o uso de energia de baixo carbono ou carbono zero a partir de fontes renováveis e outras fontes, como a bioenergia.
Três relatórios anteriores do IPCC lançados nos últimos 13 meses concentraram-se nas causas, os impactos e as possíveis soluções para as mudanças climáticas. A síntese compila os principais pontos desses últimos estudos e tem como objetivo oferecer subsídios para as discussões diplomáticas entre os países para rascunhar um novo tratado internacional sobre mudanças climáticas em 2015.
O relatório reafirma ainda posições já expressadas pelo IPCC, como a participação “inequívoca” da humanidade para o aquecimento global. De acordo com os cientistas, o período entre 1983 e 2012 foi o mais quente período dos últimos 1.400 anos. A elevação das temperaturas já teria impactos visíveis ao redor do globo, como a acidificação dos oceanos e o derretimento do gelo do Ártico.
