Temos vizinhos no universo? Novas descobertas interestelares reavivam a questão
O objeto emana um brilho descomunal e se move com astronômica rapidez. Aturdida, a piloto entra em contato com a torre de controle do aeroporto de Shannon, na Irlanda, e questiona se a profusão de luzes faz parte de algum treinamento militar. A resposta é negativa. Os radares não identificam qualquer anormalidade, avaliação repetida a outros pilotos que relatam visão semelhante. O incidente intriga as autoridades e domina o noticiário: o que ocorre no espaço aéreo irlandês?
O evento, que poderia ser a sinopse de um filme de ficção científica, aconteceu na última sexta-feira 9, fazendo com que a Irish Aviation Authority (IAA) — a empresa que regula e monitora viagens aéreas no país — iniciasse uma investigação para apurar os fatos. Embora a agência considere improvável uma visita alienígena, muitos se apressaram em afirmar que as luzes só poderiam vir de naves espaciais. Até mesmo o respeitado Washington Post teceu especulações em um artigo intitulado “Pilotos veem objeto voador não identificado riscar o céu da Irlanda. Se não for um alien, o que pode ser?”
O episódio com a piloto da British Airways aconteceu poucos dias após pesquisadores da Universidade Harvard afirmarem que o asteroide Oumuamua seria na verdade uma nave espacial. Descoberto em outubro de 2017, o corpo celeste logo gerou comoção na comunidade científica por ser o primeiro objeto interestelar encontrado em nosso Sistema Solar. Mas não foi apenas isso que chamou a atenção. A rapidez incomum de Oumuamua e suas formas pouco usuais — 400 metros de comprimento por 40 metros de diâmetro — levantaram dúvidas sobre a natureza do material. Trata-se de um cometa ou de um asteroide? Para os astrônomos Shmuel Bialy e Abraham Loeb, não é uma coisa nem outra. Oumuamua — que, em havaiano, quer dizer “mensageiro de muito longe que chega primeiro” — seria obra de uma avançada sociedade extraterrestre.
Os objetos não identificados na Irlanda foram alvo de igual ceticismo. Especialistas disseram que a explicação para o incidente não poderia ser mais terrena. Tudo seria resultado de um meteorito em alta velocidade que, ao cruzar a atmosfera, se despedaçou e gerou um intenso brilho. A suposta nave interestelar não passaria de uma corriqueira estrela cadente. Mas, para quem acredita em vida extraterrestre, esses argumentos não convencem. O ufólogo brasileiro Ademar José Gevaerd, de 56 anos, faz parte desse grupo.
Editor da revista Ufo, cujas matérias versam sobre médicos E.T.s, aliens em rituais xamânicos e fuscas voadores, Gevaerd afirmou que casos como o ocorrido na Irlanda não são novidade. “Incomum é o piloto falar a respeito. Com algumas exceções, as companhias aéreas são muito restritivas sobre o assunto porque temem propaganda negativa”, disse. Postura parecida teriam as Forças Armadas. O ufólogo acredita que a elite militar de diversos países conhece os pormenores dessas viagens espaciais. Apenas não comenta publicamente, disse ele, por temer que o poder bélico dos humanos fique aquém quando comparado ao arsenal dos forasteiros. A moral terráquea poderia sofrer fortes abalos. “O pensamento militar é o seguinte: nós não falamos de um assunto que não controlamos e dominamos”, declarou.
Além de missões humanitárias, o pesquisador disse que incursões espaciais por vezes buscam coletar material genético humano. As abduções, que tanto povoam o imaginário popular, seriam com frequência resultados desses experimentos. “Elas podem acontecer por curiosidade dos seres, mas nove em cada dez casos acontecem para que eles recolham sêmen e óvulos. O objetivo é recuperar populações moribundas a partir de seres híbridos feitos com nosso gene.”
Os objetos voadores não identificados — óvnis — são hoje a principal forma de alimentar teorias sobre civilizações interplanetárias. Segundo o livro UFO sightings desk reference (Guia de referência para o monitoramento de óvnis), lançado em 2017, foram registrados nos Estados Unidos mais de 120 mil casos de óvnis entre 2001 e 2015. No Brasil, de acordo com o Arquivo Nacional, foram reportadas 743 ocorrências de 1952 a 2016.
O primeiro deles foi observado na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, quando uma aeronave semelhante a um disco voador foi fotografada sobrevoando a região. Em 19 de maio de 1986, 21 óvnis foram observados em cidades como Rio de Janeiro, Brasília, Goiânia e São Paulo. Embora jatos da Força Aérea Brasileira (FAB) tenham tentado seguir os objetos, não houve êxito. O incidente ficou conhecido como “a noite oficial dos óvnis” e só rivaliza em popularidade com o afamado “E.T. de Varginha”, caso em que um alien teria sido supostamente capturado no sul de Minas Gerais em 1996.
Alguns governos não pretendem esperar um eventual contato e saíram à caça de vizinhos interplanetários. É o caso da China, que desalojou 9 mil pessoas para construir o gigantesco telescópio FAST. Há seis anos, os Estados Unidos exploram a superfície de Marte com o robô Curiosity, que já coleciona valiosas descobertas. Espera-se agora que ele possa responder à pergunta que virou um clássico na voz de David Bowie, em 1971. Afinal, existe vida em Marte?
