Instituto Onça-Pintada

O Instituto Onça-Pintada (IOP) é uma ONG dedicada exclusivamente a promover a conservação da onça-pintada, maior felino do continente Americano. Nossa missão é “Promover a conservação da onça-pintada, suas presas naturais e seus habitats ao longo de sua área de distribuição, assim como a sua coexistência pacífica com o homem, através de pesquisas e estratégias de conservação”. Fundada em junho de 2002, atualmente desenvolve e apóia projetos de pesquisa e conservação na Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal.

Para conservar uma espécie, é necessário conhecer suas exigências e fatores que ameaçam a sua persistência. Com este objetivo, o Instituto Onça-Pintada desenvolve projetos institucionais de monitoramento populacional e pesquisas ecológicas sobre a onça-pintada em áreas estratégicas da Amazônia, Caatinga, Cerrado e Pantanal, e apóia projetos de instituições parceiras que levantam importantes informações para o conhecimento e a conservação da espécie no Brasil inteiro.

Projetos

Ecologia e Conservação da Onça-Pintada na Região do Parque Nacional das Emas

Através da coleta de dados populacionais, ecológicos e epidemiológicos da espécie, o objetivo principal deste projeto é o monitoramento em longo prazo da população de onças pintadas do Parque Nacional das Emas.

A população de onça-pintada do Parque Nacional das Emas (PNE) vem sendo monitorada pelos pesquisadores do Instituto Onça-Pintada desde 1994. O PNE, localizado no bioma Cerrado, possui 1.320 km², dos quais 95% é de hábitats abertos como campos e veredas. Seu entorno é cercado por vastas plantações de soja, milho e algodão e, mais recentemente, por extensas plantações de cana de açúcar. O parque é um dos últimos refúgios para a onça-pintada nesse tipo de hábitat e abriga a última população protegida de onça-pintada da região, sendo que uma das principais ameaças locais para a espécie é o seu isolamento populacional e genético.

Apesar de existirem fragmentos de Cerrado no entorno do PNE, principalmente na região das nascentes do rio Araguaia, ainda é pouco conhecido o uso desta paisagem fragmentada sob alta pressão antrópica pela onça-pintada. Parâmetros ecológicos, demográficos, epidemiológicos, e uso desta paisagem alterada do entorno do Parque ainda são pouco conhecidas para a espécie. Neste contexto, este projeto está sendo desenvolvido com o intuito de melhorar esse conhecimento, caracterizar o estado de conservação da população de onça-pintada do PNE e monitorá-la em longo prazo.

Estima-se que a atual população de onças-pintadas no PNE inclua 30 indivíduos. Através de armadilhas fotográficas está sendo realizado um monitoramento anual desta população. A análise de fezes coletadas com auxilio de cães farejadores de fezes também permitirá o conhecimento de informações sobre dieta, genética e epidemiologia da espécie. Cinco indivíduos de onça-pintada já foram capturados no PNE, e novos esforços para captura de mais indivíduos estão sendo realizados para a colocação de radio-colares com GPS. Espera-se com o uso dessas metodologias conhecer mais sobre o uso da paisagem fragmentada no entorno do parque pela onça-pintada. Estratégias de manejo e conservação da paisagem poderão ser embasadas nestes resultados.

Distribuição Atual e Situação de Conservação da Onça-Pintada no Brasil

Ferramentas de modelagem de nicho ecológico têm sido utilizadas para estimar a distribuição atual e futura da onça-pintada, indicando, assim, áreas prioritárias para a conservação da espécie em longo prazo.

Para avaliar o estado de conservação da espécie no país, este projeto tem como objetivo coletar informações sobre a ocorrência da onça-pintada no Brasil.

Apesar de ocorrer em 19 países das Américas, aproximadamente metade da distribuição atual da onça-pintada está localizada em território brasileiro. O Brasil também abriga 50% da bacia Amazônica, considerada o refúgio mais importante para a persistência da espécie em longo prazo. Assim, é um país extremamente importante para a conservação da espécie.

A onça-pintada ocorre em cinco dos seis biomas Brasileiros – Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Pantanal. Porém, como em outras partes da sua distribuição, a expansão humana fez com que suas populações diminuíssem cada vez mais. Considerada uma espécie ameaçada de extinção no Brasil, a lei proíbe o abate de onças-pintadas em território nacional, mas a caça em retaliação à predação de rebanhos domésticos continua acontecendo de forma ilegal. Isso, juntamente com a conversão rápida de habitats naturais, pode causar a extinção local da espécie em varias partes do país.

Este projeto teve início em 2005 e tem como objetivo a coleta sistemática e atualização de informações sobre a distribuição da onça-pintada no país, identificando populações e avaliando o seu estado atual de conservação. As informações estão sendo coletadas através da literatura, coleções de museus e zoológicos, pesquisadores e através de pesquisa a campo pela equipe do IOP, utilizando entrevistas com moradores locais, armadilhas-fotográficas e cães farejadores de fezes.

Até o presente, o projeto já acumulou mais de 1000 pontos de ocorrência de onça-pintada no Brasil. De acordo com os dados coletados, a região amazônica é responsável pela maior população contínua da espécie, seguida do bioma Pantanal. As populações do Cerrado e Caatinga encontram-se cada vez mais restrita a Unidades de Conservação e, na Mata Atlântica, a espécie encontra-se fragmentadas em pequenas populações isoladas em áreas protegidas (parques e reservas). Esses dados já possibilitaram a realização de uma análise da viabilidade populacional da onça-pintada em áreas protegidas (Sollmann et al., 2008) e estão sendo utilizados para modelar a distribuição atual e passada da espécie.

Araguaia – Corredor da Onça

Realizado em um dos maiores rios do Brasil central, este projeto visa a implementação de um corredor de biodiversidade, preservando a riqueza biológica, cultural e socioeconômica do Rio Araguaia.

Com 1800 km de comprimento, o rio Araguaia é o terceiro maior rio do Brasil fora da Bacia Amazônica, nascendo no Cerrado do Parque Nacional das Emas e desaguando na Floresta Amazônica. É um dos rios mais conservados e ricos em biodiversidade do país. Espécies que dependem de grandes áreas nativas para sobreviver, como a onça-pintada, têm no rio Araguaia um importante ambiente para se manter, reproduzir e dispersar. Além da rica biodiversidade, há ainda uma destacada diversidade cultural, importância turística e socioeconômica associada a esse rio. Acreditando na viabilidade do rio Araguaia como um corredor de biodiversidade, este projeto tem como objetivo principal estabelecer, em longo prazo, um programa de manejo do rio, que contemple suas riquezas ecológicas, sociais e econômicas.

Desenvolvido em parceria com o IBAMA e o Earthwatch Institute, o projeto teve início em 2008. A primeira fase do projeto vem sendo realizada e consiste em mapear os aspectos antrópicos e ambientais da área do corredor, definido como uma faixa de 20 km de largura de cada margem do rio. Ainda, vem sendo mapeada a distribuição de cinco espécies focais: onça-pintada (Corredor da Onça), ariranha (Ecologia e Conservação da Ariranha no médio rio Araguaia), jacaré-açu, boto cor de rosa e o bagre piraíba. Essas espécies, predadoras topo de cadeia em distintos nichos ecológicos, serão utilizadas como indicadoras da qualidade ambiental da região. O diagnóstico da situação atual do rio Araguaia e a elaboração de um plano de manejo com ações para a sua conservação finalizarão essa fase, que será seguida pela fase de implementação do Corredor de Biodiversidade do Rio Araguaia e seu manejo. Posteriormente, o corredor será monitorado em longo prazo, principalmente através das espécies indicadoras, de forma a garantir a sua funcionalidade e qualidade, tanto para a população humana, quanto para a biodiversidade local.

Programa de Monitoramento de Longa Duração da População de Onça-Pintada do Pantanal, MS

Desde 2002, este projeto enfoca a dinâmica populacional da onça-pintada no Pantanal, MS, estudando a ecologia, epidemiologia e demografia da espécie em propriedades rurais.

O Projeto Onça-Pintada no Pantanal teve início em setembro de 2002, e atualmente é desenvolvido em parceria com propriedades rurais na região do Pantanal do Rio Negro, Miranda, Aquidauana e Nhecolândia. A área de atuação do projeto, somada ao Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, compreende uma área de a 280.514 hectares de habitat natural e contínuo para as onças-pintadas. A base do Projeto está localizada no Refúgio Ecológico Caiman (REC), município de Miranda, MS.

O principal objetivo deste projeto é desenvolver um modelo de conservação para a onça-pintada em propriedades privadas do Pantanal. Para tanto, estão sendo coletados dados demográficos e ecológicos da espécie através de armadilha fotográfica, observação direta, cães farejadores de fezes e radio-telemetria. Até o presente, 22 onças-pintadas foram capturadas e equipadas com radio-colar. Ainda, material biológico para análises genéticas e epidemiológicas foram coletados de cada individuo capturado. Através da técnica de radio-telemetria estima-se que na regiao uam onça-pintada possui uma área de vida média de 21 km² para fêmeas e 58 km² para machos. Pelo monitoramento observou-se também que os filhotes acompanham a sua mãe até aproximadamente um ano e meio de idade, quando estabelecem o seu próprio território. Em 2008, uma onça-pintada fêmea e seu filhote vem sendo monitorada na Fazenda Barranco Alto, Pantanal do Rio Negro. Este é o primeiro estudo da espécie nesta região.

Através das armadilha fotográfica, 60 registros de onças-pintadas foram obtidos onde 36 indivíduos foram identificados. Este projeto tem como objetivo monitorar a dinâmica populacional da onça-pintada na região, conhecendo as possíveis tendências dessa população (crescimento, estabilidade, diminuição) ao longo dos anos, um aspecto de alta importância para o conhecimento do estado de conservação da espécie.

Uso de Modelagem de Nicho Ecológico na Avaliação da Distribuição Geográfica da Onça-Pintada

Além da ocupação humana e conseqüente conversão de áreas naturais para produções agropecuárias, mudanças climáticas têm sido citadas como responsáveis por modificações relevantes na distribuição de várias espécies. Um dos maiores desafios para conservacionistas é a identificação de áreas prioritárias para reverter esses efeitos negativos.

Apesar da distribuição da onça-pintada ser bastante ampla, muitas de suas populações estão sofrendo declínio devido às pressões antrópicas Em conseqüência sua distribuição atual compreende somente 46% de sua extensão original (Sanderson et al., 2002). Um plano para conservação da espécie em nível de distribuição deve se basear no conhecimento da sua distribuição passada e atual, possibilitando uma avaliação mais precisa do seu estado de conservação e a melhor alocação de esforços e recursos para a sua conservação. Porém, informações de distribuição em grande escala são difíceis de serem obtidas. Uma alternativa é o emprego de modelos que predizem a distribuição espacial potencial baseado nos requerimentos ecológicos da espécie, extrapolando para áreas desconhecidas a partir de pontos conhecidos. Por essas técnicas é possível obter mapas que indicam onde a ocorrência da espécie é provável.

Utilizando os dados coletados no Projeto Distribuição da Onça-Pintada, esse projeto tem como objetivo estimar a distribuição potencial atual e futura da onça-pintada ao longo de toda sua distribuição, considerando modelos de mudanças climáticas e cenários de uso do solo no futuro. Resultados preliminares indicam que no Brasil, as regiões mais favoráveis para a ocorrência da onça-pintada no futuro (considerando apenas as variáveis ambientais) se concentram na área de transição entre o Cerrado e Amazônia, atualmente sob forte pressão de desmatamento (Tôrres et al., 2008). Resultados finais ajudarão a avaliar a eficiência do atual sistema de unidades de conservação e indicar áreas prioritárias para a conservação da espécie em longo prazo.

Relação Epidemiológica entre as Populações de Onça-Pintada (Panthera Onca) e Animais Domésticos em Três Biomas Brasileiros: Cerrado, Pantanal e Amazônia

Através da coleta de material biológico das populações de onças-pintadas e de animais domésticos em três Biomas brasileiros, este projeto propõe analisar a relação epidemiológica destas populações.

A fragmentação de hábitats, a caça predatória e o aumento da proximidade entre as comunidades humanas, animais domésticos e animais silvestres, podem ser responsáveis pelo aparecimento de doenças emergentes e re-emergentes, pela disseminação de patógenos e por alterações nos padrões epidemiológicos de doenças. Porém, pouco se conhece sobre o potencial papel das doenças nas populações de onças-pintadas em vida-livre. Considerando que as interações entre as populações de onças-pintadas e animais domésticos no entorno de Unidades de Conservação (UC) tendem a crescer, é possível que ocorra a transmissão de patógenos entre elas. Este projeto propõe realizar um levantamento do aspecto sanitário das populações de onças-pintadas em três Biomas brasileiros através da captura e coleta de material biológico dos animais. Ainda, serão coletadas amostras biológicas des animais domésticos (bovinos e carnívoros) de propriedades rurais destas regiões. Espera-se identificar possíveis associações entre as populações estudadas e, por sua vez, mapear a ocorrência dos patógenos nas áreas de estudo, levando em consideração os diferentes modelos de ocupação humana.

Até o presente, amostras de 46 onças-pintadas foram coletadas nas áreas de estudo do Cerrado radio-telemetria, Pantanal e Amazônia, e mais de 900 amostras de animais domésticos de propriedades rurais da região do Cerrado e Pantanal já foram coletadas. As amostras estão sendo analisadas para importantes zoonoses (Toxoplasmose, Leptospirose, Brucelose, Raiva e Tuberculose) e importantes doenças para carnívoros (Cinomose) e felínos (Imunodeficiência felina – FIV e Leucemia felina – FeLV). Os resultados preliminares mostram que as onças-pintadas da região do Cerrado e do Pantanal foram expostas à Leptospira spp, e ao Toxoplasma gondii, e não foram expostas à Brucella abortus.

Esses resultados auxiliarão nas estratégias de conservação para as populações de onça-pintada nas áreas de estudo, podendo servir como modelo de programa epidemiológico para essas regiões assim como para outras regiões do país.

Ecologia Populacional da Onça-pintada na região do Parque Estadual do Cantão

Abrigando uma população chave de onça-pintada para o Brasil central, esse projeto investiga a distribuição, ecologia e epidemiologia da onça-pintada na região do Parque Estadual do Cantão.

O Parque Estadual do Cantão (PEC) é uma das mais importantes reservas florestais na região central do Brasil. Localizada dentro do eixo do rio Araguaia, está em uma área de transição entre os biomas do Cerrado e da Amazônia, e por isso abriga espécies da fauna destes dois ambientes como, o lobo-guará, o veado-campeiro, o macaco cuxiú e o bicho-preguiça. O seu entorno é caracterizado por fazendas de gado, e a região apresenta uma alta taxa de desmatamento, o que contribui para o potencial conflito entre onças-pintadas e produções de gado.

Este projeto tem como objetivo principal monitorar a distribuição da onça-pintada na região de estudo, assim como, a coleta de dados populacionais, ecológicos e epidemiológicos da espécie. O estudo teve início no PEC em 2002 e posteriormente se estendeu para a área vizinha de 55.000 hectares da Fazenda Santa Fé – PA. Esta propriedade privada possui uma área de 30.000 hectares de reserva e representa um importante refúgio para as onças-pintadas da região, inclusive de onças-pintadas melânicas.

Até o presente, dados de armadilha fotográfica permitiram estimar a densidade local de 2,59 onças-pintadas/100km². Até o presente, três indivíduos já foram capturados para coleta de material biológico. Através das fezes coletadas com o uso de cães farejadores, identificou-se que as principais presas silvestres para a onça-pintada no PEC e entorno são as antas e os porcos do mato (queixadas e/ou catetos), e que o gado, mesmo sendo um animal doméstico, constitui uma fonte de alimento importante para especie. A colocação de colares GPS em alguns indivíduos permitirá conhecer o uso da floresta e pastagens pela espécie. Também será possível compreender um pouco mais sobre o conflito com pecuaristas na região, uma vez que uma das principais ameaças para essa população de onça-pintada é o abate em retaliação a predação de rebanhos domésticos.

Ecologia Populacional da Onça-pintada na região do Parque Estadual do Cantão

Abrigando uma população chave de onça-pintada para o Brasil central, esse projeto investiga a distribuição, ecologia e epidemiologia da onça-pintada na região do Parque Estadual do Cantão.

O Parque Estadual do Cantão (PEC) é uma das mais importantes reservas florestais na região central do Brasil. Localizada dentro do eixo do rio Araguaia, está em uma área de transição entre os biomas do Cerrado e da Amazônia, e por isso abriga espécies da fauna destes dois ambientes como, o lobo-guará, o veado-campeiro, o macaco cuxiú e o bicho-preguiça. O seu entorno é caracterizado por fazendas de gado, e a região apresenta uma alta taxa de desmatamento, o que contribui para o potencial conflito entre onças-pintadas e produções de gado.

Este projeto tem como objetivo principal monitorar a distribuição da onça-pintada na região de estudo, assim como, a coleta de dados populacionais, ecológicos e epidemiológicos da espécie. O estudo teve início no PEC em 2002 e posteriormente se estendeu para a área vizinha de 55.000 hectares da Fazenda Santa Fé – PA. Esta propriedade privada possui uma área de 30.000 hectares de reserva e representa um importante refúgio para as onças-pintadas da região, inclusive de onças-pintadas melânicas.

Até o presente, dados de armadilha fotográfica permitiram estimar a densidade local de 2,59 onças-pintadas/100km². Até o presente, três indivíduos já foram capturados para coleta de material biológico. Através das fezes coletadas com o uso de cães farejadores, identificou-se que as principais presas silvestres para a onça-pintada no PEC e entorno são as antas e os porcos do mato (queixadas e/ou catetos), e que o gado, mesmo sendo um animal doméstico, constitui uma fonte de alimento importante para especie. A colocação de colares GPS em alguns indivíduos permitirá conhecer o uso da floresta e pastagens pela espécie. Também será possível compreender um pouco mais sobre o conflito com pecuaristas na região, uma vez que uma das principais ameaças para essa população de onça-pintada é o abate em retaliação a predação de rebanhos domésticos.

Distribuição Geográfica, Avaliação Genética e Odontológica da Onça-Pintada no Brasil

A distribuição geográfica, a diversidade genética e a odontologia da onça-pintada no Brasil estão sendo estudadas neste projeto através de crânios e peles de onças-pintadas apreendidos pela fiscalização dos órgãos ambientais, ou provenientes de museus e instituições de ensino e pesquisa.

A onça-pintada está classificada como ameaçada de extinção pelo IBAMA e “quase ameaçada” pela IUCN. Projetos de pesquisa com a espécie na natureza são realizados principalmente através de armadilha fotográfica, e da captura de indivíduos para coleta de material biológico e colocação de radio-transmissores. Por outro lado, uma grande quantidade de material biológico de onça-pintada (crânios e peles) é apreendida pelos setores de fiscalização dos órgãos ambientais dentro do território brasileiro. Esses materiais biológicos acabam, muitas vezes, sendo subutilizados pela ciência, apesar de serem uma importante fonte complementar de informações sobre a espécie. Com o intuito de auxiliar no estudo de três importantes tópicos para a conservação da onça-pintada: distribuição geográfica, diversidade genética e odontologia, este projeto propõe utilizar essas amostras para avançar no conhecimento da espécie numa escala de país.

A área de distribuição da espécie é estudada através do registro da origem dos materiais biológicos. As análises genéticas das amostras de peles, realizadas por laboratórios parceiros, permitem o conhecimento da variabilidade genética da onça-pintada, comparando populações de diferentes regiões brasileiras. E os crânios coletados e analisados com o auxilio de aparelho de raio X, indicam fraturas, enfermidades, extensão de lesões e grau de comprometimento de estruturas. Até o momento, amostras da região do Norte e Centro-Oeste do Brasil já foram coletadas.

A utilização desses dados será de extrema importância quando somados às pesquisas desenvolvidas em vida-livre. No final do projeto, todo o material biológico coletado será destinado para o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Predadores Naturais – ICMbio.

Projeto Araguaia – Corredor de Biodiversidade

Realizado em um dos maiores rios do Brasil central, este projeto visa a implementação de um corredor de biodiversidade, preservando a riqueza biológica, cultural e socioeconômica do Rio Araguaia.

Com 1800 km de comprimento, o rio Araguaia é o terceiro maior rio do Brasil fora da Bacia Amazônica, nascendo no Cerrado do Parque Nacional das Emas e desaguando na Floresta Amazônica. É um dos rios mais conservados e ricos em biodiversidade do país. Espécies que dependem de grandes áreas nativas para sobreviver, como a onça-pintada, têm no rio Araguaia um importante ambiente para se manter, reproduzir e dispersar. Além da rica biodiversidade, há ainda uma destacada diversidade cultural, importância turística e socioeconômica associada a esse rio. Acreditando na viabilidade do rio Araguaia como um corredor de biodiversidade, este projeto tem como objetivo principal estabelecer, em longo prazo, um programa de manejo do rio, que contemple suas riquezas ecológicas, sociais e econômicas.

Desenvolvido em parceria com o IBAMA e o Earthwatch Institute, o projeto teve início em 2008. A primeira fase do projeto vem sendo realizada e consiste em mapear os aspectos antrópicos e ambientais da área do corredor, definido como uma faixa de 20 km de largura de cada margem do rio. Ainda, vem sendo mapeada a distribuição de cinco espécies focais: onça-pintada (Corredor da Onça), ariranha (Ecologia e Conservação da Ariranha no médio rio Araguaia), jacaré-açu, boto cor de rosa e o bagre piraíba. Essas espécies, predadoras topo de cadeia em distintos nichos ecológicos, serão utilizadas como indicadoras da qualidade ambiental da região. O diagnóstico da situação atual do rio Araguaia e a elaboração de um plano de manejo com ações para a sua conservação finalizarão essa fase, que será seguida pela fase de implementação do Corredor de Biodiversidade do Rio Araguaia e seu manejo. Posteriormente, o corredor será monitorado em longo prazo, principalmente através das espécies indicadoras, de forma a garantir a sua funcionalidade e qualidade, tanto para a população humana, quanto para a biodiversidade local.

Ecologia e Conservação da Onças-Pintada e suas Presas Naturais no Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba e Estação Ecológica Uruçuí-Una

Este projeto trabalha com duas das últimas populações de onça-pintada do Nordeste brasileiro, investigando a ecologia e conservação da espécie através de armadilha fotográfica.

O Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, localizado na região de Tocantins, e a Estação Ecológica Uruçuí-Una localizada no sudoeste do estado do Piauí, compreendem juntos 937.000 hectares de área protegida do Bioma Cerrado. Pelo seu tamanho e estado de conservação, são áreas de importância para a conservação de espécies ameaçadas, como a onça-pintada. Junto com o Parque Nacional da Serra das Confusões e o Parque Nacional da Serra da Capivara são as últimas áreas do Nordeste brasileiro com potencial de abrigar populações geneticamente viáveis de onças-pintadas.

O presente estudo teve início em 2007. Com o objetivo de estimar a abundância e a densidade das onças-pintadas, assim como coletar informações sobre o uso de hábitat, padrão de atividade e área de vida da espécie e suas presas naturais utilizou-se como metodologia as armadilha fotográfica. Foram registradas um total de 20 espécies de mamíferos de médio e grande porte, sendo as espécies mais abundantes da região o cachorro-do-mato, a raposa-do-campo e o veado caatingueiro. Resultados até o presente mostram que a ocorrência da onça-pintada na região é bastante rara. Além da onça-pintada, essas reservas abrigam populações de nove mamíferos listadas como ameaçadas de extinção pelo IBAMA, o que destaca a importância dessas áreas protegidas para a conservação da fauna do nordeste brasileiro.

Ecologia e Conservação de Onça-Pintada nos Parques Nacionais Serra da Capivara e Serra das Confusões

No bioma semi-árido da Caatinga, informações sobre a onça-pintada são extremamente escassas. Esse projeto tem como objetivo conhecer a ecologia, demografia e epidemiologia da espécie na região.

Este projeto é realizado nos Parques Nacionais Serra da Capivara e Serra das Confusões desde 2007. Juntos, os Parques protegem 6.560 km² do bioma Caatinga. Os parques, separados entre si por 40 km, encontram-se próximos a várias comunidades, onde a agricultura de subsistência é a principal atividade e também a principal causa de fragmentação da paisagem natural. Acredita-se que uma das principais ameaças para a onça-pintada na região seja a pressão de caça de subsistência, onde o homem compete com a onça-pintada por suas espécies presas.

Informações sobre a onça-pintada no bioma Caatinga são escassas. O objetivo deste projeto é conhecer a ecologia, identificar e monitorar o estado de conservação da espécie na região. Através de armadilhas fotográficas e cães farejadores, informações não–invasivas estão sendo coletadas. Estimada que as onças-pintadas vivam numa densidade de 2,67 indivíduos/100km² (Silveira et al, no prelo). A espécie apresenta um padrão de atividade local exclusivamente noturno, provavelmente devido às temperaturas altas durante o dia. Através de captura de indivíduos e colocação de colares GPS e radio telemetria será possível conhecer a área de vida da onça-pintada, assim como o seu uso de hábitats naturais e antropizados.

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