Estudo aponta alta contaminação de peixes por mercúrio em todas as bacias hidrográficas do AP

Uma expedição iniciada em 2015 e retomada em 2017 por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas do Amapá (Iepa) levantou informações alarmantes sobre a contaminação das principais bacias hidrográficas do estado, principalmente pela exploração garimpeira, muitas vezes ilegal. O estudo detectou em todos os rios espécies de peixes com teor de mercúrio muito acima da recomendada para consumo.

As taxas chegaram a 10, 20 vezes, a concentação do metal considerada normal pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de de 0,5 micrograma de mercúrio por grama de tecido muscular. Os rios mais afetados foram o Araguari, na área que fica dentro da Floresta Nacional do Amapá (Flona), além do Jari, Oiapoque, Amapá Grande e Cassiporé.

Espécies têm amostras coletadas para análise da presença do metal (Foto: Renata Ferreira/Iepé/Divulgação)

Espécies têm amostras coletadas para análise da presença do metal (Foto: Renata Ferreira/Iepé/Divulgação)

A pesquisa inicialmente atuou nas regiões próximas das áreas de garimpo e depois expandiu a coleta de amostras para outras áreas do estado. O alto teor de mercúrio nos peixes pode causar danos à saúde do ser humano que consumir essas espécies. Entre os principais problemas comuns estão mal estar e doenças gastrointestinais. Dependendo do teor pode causar até a morte.

“O mercúrio é um metal que existe na natureza e não sabemos qual é o nível natural de presença dele. Em cada ambiente ele vai acontecer numa determinada concentração e nesse estudo que nós fizemos eram em áreas que tinham atividade garimpeira”, explicou a doutora em zoologia do Iepa, Cecile Gama, uma das integrantes das expedições.

Estudo identificou maior presença de mercúrio em peixes carnívoros (Foto: Cecile Gama/Arquivo Pessoal)

Estudo identificou maior presença de mercúrio em peixes carnívoros (Foto: Cecile Gama/Arquivo Pessoal)

A etapa concluída do estudo recolheu nas bacias principalmente peixes carnívoros, que naturalmente concentram no corpo a maior parte do mercúrio absorvido da água. Quatro espécies foram monitoradas de forma frequente pelo Iepa: piranha-preta, mandubé, pirapucu e trairão.

“Eles são muito encontrados e muito consumidos pelos ribeirinhos e vendidos em feiras. Temos grupos de risco, como crianças em formação, as mulheres grávidas ou que podem engravidar e gerar crianças com má formação e isso depende do nível de contaminação por mercúrio” completou Cecile, reforçando que atualmente as expedições também coletaram sedimentos para análise.

Pesquisadores atuaram nos principais rios do estado (Foto: Cecile Gama/Arquivo Pessoal)

Pesquisadores atuaram nos principais rios do estado (Foto: Cecile Gama/Arquivo Pessoal)

Além do Iepa, atuam nas expedições membros da Organização Não-Governamental WWF Brasil, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé). Um dos objetivos do estudo é auxiliar na regularização dos garimpos existentes no Amapá e alertar para o alto uso do mercúrio.

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