Pesquisa inédita produz verniz antimicótico a partir do óleo de Lippia

Por Alexandre Nunes

A Paraíba tem uma posição de vanguarda quando o assunto é pesquisa e inovação tecnológica e um exemplo marcante é o que acontece na Gerência de Ensino e Pesquisa (GEP) do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), da UFPB, que desenvolve diversos estudos científicos.

Um desses estudos foi o que possibilitou o desenvolvimento de um verniz fitoterápico contendo óleo essencial de planta medicinal (Lippia sidoides Cham) como nova opção terapêutica para onicomicose, uma infecção fúngica que acomete cerca de 20% da população. A pesquisa foi apresentada como trabalho de conclusão do doutorado da médica dermatologista Esther Bastos Palitot, junto ao Programa de Pós-graduação em Produtos Naturais Sintéticos e Bioativos (CAPES nível 6) da Universidade Federal da Paraíba.

Esther Bastos explica o óleo de Lippia vem sendo estudado há mais de 10 anos pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Biomateriais (NEPIBIO), da UFPB. “Como ele é rico em timol, já se observou em outros estudos que é eficaz no controle de bactérias e fungos da cavidade bucal. Restava testar se esse efeito na formulação de um verniz seria estável e com potencial de uso na dermatologia. Na dermatologia o uso da Lippia é algo inédito e por isso foi solicitada a patente como garantia de preservação de conhecimento por parte da UFPB”, esclarece.

O produto foi avaliado em uma Pesquisa Clínica de fase II com pacientes usuários do Hospital Universitário Lauro Wanderley. O ensaio clínico teve a duração de 45 dias, com 30 participantes na idade média de 56 anos, todos portadores de onicomicose. O verniz experimental apresentou eficácia semelhante ao verniz com antifúngico tradicional (ciclopirox olamina). O verniz antimicótico foi patenteado com BR 10 2017 018692 0 pela Agência UFPB de Inovação Tecnológica (INOVA-UFPB).

A pesquisadora Esther Bastos espera que, em um ano, o produto já esteja disponível para a população. “Nosso grupo de pesquisa enviou um projeto para um edital de pesquisa clínica do CNPq e já foi aprovado. Nesse edital, o projeto vai integrar um portfólio de prioridades do Ministério da Saúde para financiamento e apoio para produção do medicamento – fase III e IV de pesquisa clínica. Em adição, a INOVA da UFPB já demonstrou interesse em viabilizar a produção do medicamento com produção do óleo (matéria-prima) de maneira sustentável e aqui mesmo na Paraíba”, comemora.

Esther explica que a pesquisa foi sua tese de doutorado do Programa de Pós-graduação em Produtos Naturais e Sintéticos Bioatiavos da UFPB, conceito 6 de excelência pela CAPES. “A execução da parte da pesquisa clínica foi realizada no Setor de Dermatologia, em conjunto com o Setor de Pesquisa e Inovação Tecnológica (PesqInTech), da Gerência de Ensino e Pesquisa (GEP), do Hospital Universitário Lauro Wanderley, filial da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), uma estatal vinculada ao Ministério da Educação”, detalha.

A Ebserh administra atualmente 39 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.

A equipe que trabalhou na pesquisa da professora Esther Bastos Palitot era formada pelos professores Fábio Correia Sampaio, que também é o chefe do Setor de Pesquisa e Inovação Tecnológica (PesqInTech) do HULW, Margareth Diniz, atual reitora da UFPB, e Rinalda Araújo Guerra, doutora em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos.

PesqInTech desenvolve outros projetos inovadores

A pesquisa de verniz fitoterápico, com seus resultados animadores, tem causado um impacto positivo em toda a comunidade acadêmica e estimulado novos pesquisadores a desenvolverem projetos inovadores voltados para o bem-estar da população.

Segundo revela a pesquisadora Esther Bastos Palitot, a Gerência de Ensino e Pesquisa (GEP), por meio do Setor de Pesquisa e Inovação Tecnológica (PesqInTech) do Hospital Universitário Lauro Wanderley, além do verniz antimicótico, firmou um acordo de cooperação com a Fiocruz – Biomanguinhos para pelo menos mais três pesquisas ainda esse ano, a exemplo do teste de usabilidade do kit de HIV-AIDS. “Trata-se de uma pesquisa que tem por finalidade verificar o entendimento dos indivíduos que vão fazer uso do kit para identificação de portadores de HIV vendidos nas farmácias”, informa.

A segunda é uma avaliação de medicamento para úlceras em pés de pacientes diabéticos: pesquisa a ser realizada no setor de endocrinologia do Hospital Universitário Lauro Wanderley.

Na terceira, o Hospital Universitário Lauro Wanderley dá suporte à pesquisa de vacina de febre amarela no município do Conde. “A Paraíba é uma área livre de febre amarela e, portanto, é onde se faz o teste de um grupo-controle”, observa Esther Bastos.

Pesquisa envolve universidade e município do Conde

A pesquisa “Estudo clínico da imunidade contra a febre amarela após uma dose de vacina em crianças e adultos: estudo de corte em área não endêmica” tem como principal objetivo, o acompanhamento de pacientes voluntários que foram vacinados contra a doença, e avaliar se no período de dez anos após o recebimento da dose da vacina, o paciente permanece imune à doença ou se existe alguma alteração no sistema imunológico.

A vacina é aplicada em crianças a partir dos 09 meses de idade e em adultos voluntários que passam a ser acompanhados pelas equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e juntamente com as equipes da Fiocruz e UFPB vão avaliar até quanto tempo o participante fica imune à doença. Os resultados acerca da eficácia da vacina podem servir de base para outros estudos, sejam nacionais ou internacionais.

Sobre a Pesquisa – A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, transmitida por um mosquito. Com a realização da pesquisa no município de Conde, o objetivo é obter um melhor entendimento da duração da proteção da vacina. A pesquisa está sendo realizada na cidade do Conde e vai acompanhar cada voluntário participante durante um período de 10 anos, onde será avaliada a eficácia da vacina no sistema imunológico do paciente no período. No Conde, as Unidades Básicas de Saúde Neves e Conceição foram às selecionadas para a realização da pesquisa.

Ela informa a existências de mais pesquisas, como a do desenvolvimento de medicamento para o controle da asma, com apoio do CNPQ, e de um projeto já cadastrado na Gerência de Ensino e Pesquisa relacionada a um centro de pesquisa em alergias.

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