Preservado em âmbar, aracnídeo de 100 milhões de anos é encontrado
Graças à preservação em âmbar— resina produzida por alguns vegetais — pesquisadores descobriram a “tataravó” das aranhas com idade estimada em 100 milhões de anos. A espécie foi encontrada em Myanmar, no Sudeste Asiático, e data do período Cretáceo. Apesar de possuir algumas características comuns das aranhas atuais, como uma estrutura para produção de teias e apêndices articulados, o animal também contava com uma cauda de 3 milímetros, comum a outros aracnídeos como escorpiões.
Publicada no periódico científico Nature Ecology & Evolution, a descoberta foi realizada em cooperação entre cientistas norte-americanos, chineses, ingleses e britânicos. A nova espécie foi batizada de Chimerarachne yingi, que significa “aranha quimera” — o nome foi uma inspiração à quimera da Antiguidade Grega, uma figura mítica que tinha aparência híbrida com corpo de leão e cabeças de cabra e de dragão.
De acordo com os pesquisadores, essa descoberta dá sinais mais consistentes sobre a origem das aranhas e demais aracnídeos: os primeiros registros de espécies dessa classe datam de pelo menos 300 milhões de anos.

Apesar de possuir uma estrutura aparente para a construção de teias, os cientistas ainda não conseguiram confirmar se a espécie recém-descoberta conseguia produzir uma armação complexa de fios de seda para capturar suas presas. Atualmente, apenas algumas espécies de aranhas são capazes de tecer essas redes produzidas a partir de uma fibra proteica que é expelida por fieiras.
Myanmar é extensivamente pesquisado por paleontólogos por conta das amostras de âmbar com vestígios pré-históricos encontrados no país. Em 2016, uma cauda de um dinossauro com penas foi descoberta de maneira intacta graças à preservação da resina vegetal.
