81% dizem separar o lixo, mas assunto ainda é desafio, segundo pesquisa
Entre as quase 200 pessoas que participaram de pesquisa desenvolvida por estudantes de Administração da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) Venâncio Aires, 81% afirmam separar o lixo em casa. Apesar de ser um indicativo da conscientização da comunidade, a separação do lixo ainda é um tema que desafia gestores públicos e moradores.
Das cerca de 30 toneladas de lixo que chegam, por dia, à Usina de Triagem de Resíduos de Venâncio Aires, no máximo 10% são encaminhados para a reciclagem. Para a estudante de Engenharia Ambiental e coordenadora da usina, Tailane Hauschild, apesar de a maioria das pessoas afirmar, na pesquisa, que separa o lixo, há hábitos que ainda precisam ser modificados para reduzir a quantidade de lixo que vai para o aterro sanitário de Minas do Leão.

A mistura de materiais recicláveis com lixo orgânico e rejeito é o que dificulta o trabalho das 11 pessoas que atuam na usina de triagem e o encaminhamento de mais materiais para a reciclagem. ‘Não vencemos abrir todas as sacolas na esteira para separar o que é reciclável’, explica Tailane.
De acordo com ela, quando chegam à usina as cargas de coleta seletiva – caminhões verdes que recolhem o lixo seco nos bairros e no interior -, o percentual de aproveitamento do material chega a 80%. Entretanto, mesmo nessas sacolas, nas quais deveriam estar apenas materiais recicláveis, encontram-se resíduos orgânicos, restos de galhos e folhas, papel higiênico e roupas.
A orientação é de que as pessoas separem o lixo em sacolas diferentes e respeitem o dia correto da coleta seletiva (lixo reciclável) e da convencional (orgânico e rejeito). ‘Isso seria um grande passo. Se o lixo chegar aqui em sacolinhas separadas, conseguiremos abrir as de material reciclável na esteira e separá-lo. Quando o orgânico vem em uma sacola só dele, percebemos que é pesado e já nem abrimos. O grande problema é que no meio do lixo orgânico há materiais recicláveis’, explica.
Redução
Para o secretário municipal de Meio Ambiente, Clóvis Schwertner, reduzir o lixo orgânico em Venâncio Aires é fundamental para ampliar a quantidade de resíduos encaminhado à reciclagem e reduzir os custos com lixo. Por isso, a pasta tem estimulado a adoção de composteiras nas residências, nas quais os moradores podem transformar cascas de frutas e legumes, erva e folhas, por exemplo, em adubo orgânico.
De acordo com Schwertner, apenas o rejeito deveria ir para o aterro de Minas do Leão, mas o local acaba sendo o destino do lixo orgânico produzido em Venâncio Aires e de parte do lixo seco que se mistura com o orgânico e não consegue ser retirado para a reciclagem.
Precisamos trabalhar pela redução da quantidade de lixo e dos resíduos orgânicos. Temos um déficit anual de R$ 2 milhões com o lixo, mesmo com as taxas pagas pela população
Clóvis Schwertner
secretário municipal de Meio Ambiente
Faça em casa
A coordenadora da Usina de Triagem de Resíduos de Venâncio Aires, Tailane Hauschild, sugere que a população adote três lixeiras, em casa, para auxiliar na destinação correta do lixo. O lixo seco deve ser descartado nos dias da coleta seletiva e o rejeito e o orgânico nos dias de coleta convencional.
Seco/seletivo – Embalagens plásticas, papel, garrafas PET, alumínio, vidro, caixas de leite. Esses materiais podem ser separados, na usina, e encaminhados à reciclagem.
Rejeito – Tudo aquilo que não pode ser reciclado e é encaminhado ao aterro sanitário: sacolas engorduradas, restos de comida com sal, ossos, papel higiênico, fralda, absorventes, esponja de aço, fita adesiva, fotos, restos da limpeza da casa, plástico de embalagens de carne.
Orgânico – Restos de frutas e verduras, cascas de legumes, filtro de café, erva, grama e folhas. O ideal é que esses resíduos fossem utilizados em uma composteira, que os transforma em adubo orgânico. Caso não seja possível, devem ser encaminhados à usina em uma sacola só para eles, para que não sujem o lixo reciclável.
