Cassini se desintegra na atmosfera de Saturno após missão de 20 anos

A sonda Cassini fez na última nesta sexta-feira seu mergulho final na atmosfera de Saturno, pondo fim a uma missão iniciada há duas décadas, que revolucionou o conhecimento sobre o gigante gasoso rodeado por um sistema anéis. Seguindo os planos da agência espacial americana, a espaçonave se desintegrou como um meteorito, e, enfim, encerrou suas transmissões para a Terra.

— O sinal da sonda desapareceu — afirmou Earl Maize, chefe da missão Cassini, às 8h55, pelo horário de Brasília.

O mergulho acontecera 83 minutos antes, pois existe um atraso para que os sinais de rádio percorram os cerca de 1,9 bilhão de quilômetros que separam Saturno do nosso planeta. Por causa dessa distância, a viagem de ida da Cassini demorou sete anos, e nos últimos 13 anos ela produziu uma quantidade impressionante de dados sobre Saturno e seu sistema de anéis e satélites.

No total, a Cassini produziu mais de 453 mil imagens, e percorreu 7,885 bilhões de quilômetros. Ela foi enviada junto com o robô Huygens, que aterrizou em Titã em janeiro de 2015, coletando informações inéditas sobre a atmosfera e fotografias da superfície do maior satélite natural de Saturno.

A manobra da Cassini
Sonda usou a gravidade da lua gigante Titã para mudar sua trajetória em torno de Saturno

— Deixamos o mundo informado, porém, se fazendo novas perguntas — disse Maize. — Teremos que voltar. Isso nós sabemos.

A Cassini é a maior sonda interplanetária construída pela Nasa até agora, com 6,7 metros de altura, 4 metros de comprimento e pesando, sozinha e sem combustível, mais de 2 toneladas.

Ilustração mostra a sonda Cassini, da Nasa, mergulhando para sua destruição na atmosfera de Saturno – Nasa/JPL-Caltech

A missão primária da sonda terminou em 2008 e inicialmente foi estendida até 2010, mas as descobertas sensacionais que promoveu neste período — como o flagrante dos jatos de água lançados ao espaço pela lua Encélado, graças à Cassini hoje por muitos considerada o local mais provável onde a vida pode ter se desenvolvido no Sistema Solar além da Terra —, assim como seu bom desempenho mecânico, levaram a Nasa a prorrogar novamente sua duração até este ano.

A decisão de destruir a espaçonave foi tomada porque ela estava ficando sem combustível, e se ficasse à deriva havia o risco dela se chocar contra Encélado ou Titã, contaminando esses corpos.

  • A sombra de Saturno projetada sobre o sistema de anéis – setembro/2016Foto: NASA

  • A lua Mimas, com o sistema de anéis ao fundo – dezembro/2016Foto: NASA

  • As fraturas na superfície do satélite Encélado – outubro/2015Foto: NASA

  • Eclipse: a sombra de Saturno projetada sobre Encélado – novembro/2015Foto: NASA

  • A lua Tétis, aparentemente flutuando sobre os anéis de Saturno – fevereiro/2016Foto: Nasa

  • Crateras criam formato de boneco de neve em Encélado – outubro/2015Foto: NASA

  • A Terra, vista a partir de Saturno – maio/2014Foto: NASA

  • A lua Reia à frente de Titã – dezembro/2013Foto: NASA

  • O vórtex no pólo Norte de Saturno – novembro/2012Foto: NASA

  • Uma imensa tempestade no Hemisfério Norte de Saturno – julho/2011Foto: NASA

  • O quarteto: as luas Epimeteu, Jano, Prometeu e Atlas – setembro/2010Foto: Nasa

  • Esta imagem pode não ser bela, mas é importante: mostra a presença de atmosfera densa em Titã – março/2006Foto: NASA

  • O lançamento da Cassini-Huygens, em 15 de outubro de 1997Foto: NASA

  • A emoção da equipe da missão Cassini nesta sexta-feira, 15 de setembro de 2017, data do “Gran Finale” da sonda após uma jornada de duas décadasFoto: Jae C. Hong / AP

No “Grande Final”, a Cassini se lançou em direção a Saturno a velocidade de 122 mil quilômetros por hora. Telescópios na Terra miraram para o planeta, na tentativa de captar alguma imagem do momento, mas as chances são remotas. A expectativa dos cientistas é que dados coletados durante esse último mergulho tragam informações sem precedentes sobre a parte superior da atmosfera de Saturno.

— Não apenas temos um ambiente com uma abundância de mistérios científicos, mas nós tivemos uma nave espacial que foi capaz de explorá-lo — disse Maize.

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