“Investir em conservação pode trazer retorno financeiro para o setor privado”
Segundo conservacionista, é preciso mostrar aos investidores que colocar recursos em infraestrutura natural, como florestas e ecossistemas, pode ser tão vantajoso quanto em infraestrutura tradicional

A ciência já demonstrou que as florestas e os ecossistemas prestam uma série de serviços para a sociedade: regulam a temperatura, mantêm a qualidade da água, do ar, evitam emissões de gases de efeito estufa, entre outros. Um grupo de conservacionistas acredita que, se os beneficiários desses serviços pagarem por eles, poderemos ter uma importante fonte de recursos para quem protege florestas – é o conceito chamado de Pagamentos por Serviços Ambientais. Esses pagamentos, no entanto, ainda estão na teoria ou em projetos-piloto. Como tirá-los do papel? Segundo Michael Jenkins, CEO da organização ambiental Forest Trends, é preciso criar um mercado para os serviços ecossistêmicos. Jenkins veio ao Brasil para o Fórum sustentabilidade & governança, organizado em Curitiba, Paraná, na semana passada. Ele conversou com a reportagem do Blog do Planeta.

ÉPOCA – O senhor trabalha tentando convencer as empresas de que proteger florestas faz sentido do ponto de vista econômico. Pode falar um pouco sobre esse trabalho?
Michael Jenkins – Eu comecei a organização Forest Trends há 18 anos com o objetivo de construir um mercado para dar valor aos serviços ambientais – os serviços que as florestas provêm, como a melhora da qualidade da água, a proteção de hábitats e o sequestro de carbono. A ideia é criar valor real para esses serviços, para que esses recursos cheguem a quem protege as florestas, sejam comunidades locais, indígenas, produtores rurais, empresas ou órgãos governamentais. Queremos colocar os serviços ambientais globais em um mercado real.
