Testes com animais: ruim, mas necessário em experiências acadêmicas
“Deveríamos nos aventurar no estudo de animais de todo tipo sem desgosto, pois cada um deles e todos nos revelarão algo natural e algo bonito”, escreveu Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), um dos gigantes do pensamento grego, em seu livro História dos Animais (350 a.C.).
Considerado pioneiro no uso de cobaias em pesquisas científicas, o pensador dedicou parte de seus esforços à caracterização das diferenças entre os seres estudados nesse verdadeiro tratado zoológico.
Séculos depois, o uso de animais ainda se mostra essencial ao progresso das ciências, em especial como modo de realizar testes de medicamentos e vacinas sem pôr em risco vidas humanas. Não há, pelo menos até agora, uma forma segura e financeiramente viável de substituir todas as cobaias — e o homem, claro, é a prioridade das pesquisas científicas.
Apesar de todas essas evidências, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou, em junho, um projeto de lei, de autoria do deputado Feliciano Filho (PSC), que vetava a “utilização de animais em atividades de ensino” em instituições de todo o estado. É uma medida muito desejável, mas ainda inaplicável. Em 26 de julho, pouco mais de um mês depois, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) derrubou a chamada Lei Anticobaia. Reportagem de VEJA debate a necessidade do uso de animais nos experimentos acadêmicos.
