Cão raro que protegia monarquia de lobos e ursos na Geórgia foi salvo da extinção
A lenda conta que na época da crucificação de Jesus Cristo, o manto manchado de sangue foi trazido de Jerusalém para Mtscheta, na Geórgia. Elias, um judeu, comprou o manto de um soldado romano e trouxe para sua terra natal. A irmã de Elias, Sidônia, sentia uma energia tão forte no manto que jamais se separou dele, mesmo na sua morte. Foi enterrada com ele.
O lugar é sagrado para os georgianos. Os moradores dali foram os primeiros a se converter ao Cristianismo. Santa Nina da Capadócia trouxe a história da crucificação de Cristo e os seus ensinamentos. Os cristãos vinham de Jerusalém para Mtscheta. Viajavam durante meses percorrendo os quase dois mil quilômetros que separam as duas cidades.
Hoje o corpo de Santa Nina da Capadócia está enterrado longe dali, em outro lugar muito sagrado para os georgianos: o Bodbe Monastério, que fica perto da cidade murada de Signagi. E a devoção em Santa Nina da Capadócia atrai muitos credos. Ela inspirou a criação de muitos monastérios. E foi a rainha Tamara quem construiu um dos mais protegidos monastérios da Idade Média, na cidade de Vardzia.
A arquitetura da cidade escavada nas pedras não visava só a defesa em tempos de guerra. Ela também levava bem-estar aos moradores. Por toda a Geórgia, os monastérios são territórios sagrados. Quase sempre ficam em lugares de difícil acesso e muito altos, mais perto do céu.
O dever dos monges em um dos monastérios que a equipe do Globo Repórter visitou é proteger o pastor caucasiano. Ele pode pesar até 100 quilos e era o cão que defendia os reis e rainhas contra ataques de ursos e lobos, mas depois que a monarquia acabou, quase sumiram completamente. Foram salvos da extinção pelos monges. Eles criam dezenas e vendem para muitos países até hoje. Os filhotes custam de US$ 600 a mil dólares. É uma raça muito boa e é o orgulho da Geórgia.
