Especialistas denunciam deputado que busca legalizar a caça no Brasil

Especialistas têm criticado veemente a proposta, pois a consideram uma violência brutal ao meio ambiente e à fauna brasileira. Além de tornar a caça algo permitido por lei, também pretende introduzir a comercialização de animais de áreas de preservação.

Para os defensores do meio ambiente, o projeto é muito pior do que é descrito pelo deputado. A medida busca a criação de reservas cinegéticas que não existem no país. “Isso nada mais são do que lugares autorizados para a caça de animais”, explica Marcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil.

No texto do PL, Colatto afirma expressamente que a condenação de animais silvestres à morte serão admissíveis quando o animal for considerado nocivo às atividades agropecuárias ou atividades correlatas, caso haja a apresentação de um laudo comprobatório pelo órgão competente. Ou seja, se uma onça for considerada uma ameaça aos agricultores, a morte do animal será defendida por lei.

De acordo com o parlamentar, a campanha contra o projeto “aconteceu porque o Greenpeace colocou (a foto de) uma onça atravessando um lago e dizendo que estou autorizando a caça à onça. Não sabem o que estão falando”.

Deputado criador do PL dando entrevista

Valdir Colatto, relator do projeto, é deputado do PMDB de Santa Catarina (Foto: RBA)

“O que o deputado tenta é culpar o termômetro pela febre. Mas foi ele quem escreveu o PL. Ele deveria assumir o que escreve e dizer que escreveu porque pensa assim. Ele escreve e quer no discurso enganar as pessoas dizendo que o que escreveu não existe”, afirma Astrini.

Mariana Napolitano Ferreira, coordenadora do programa de ciência da WWF Brasil, ONG que busca a conservação da natureza, afirma que o a medida proposta pelo deputado é clara em seus objetivos e não representa em nada o povo brasileiro. “Quem esse projeto de lei representa? Não representa a sociedade brasileira. É um retrocesso em relação a uma sociedade preocupada com a questão ambiental, que respeita os animais e vê a natureza como um patrimônio do país”, critica.

A coordenadora critica ainda o fato do projeto querer a regulamentação da caça de animais silvestres, proibida desde 1967, sem que haja um profundo e amplo debate com a sociedade. Ela afirma que querer autorizar a morte de animais para não afetar a produção agropecuária do país mostra uma inversão dos valores. “Temos que reverter essa lógica: a produção é que está ameaçando as espécies. Hoje, a produção agropecuária se expande cada vez mais, o desmatamento cresce, a fronteira de expansão das atividades humanas deixam animais como as onças cada vez mais isolados. Confinada a uma área pequena, quando chegar perto das propriedades rurais, ela poderá ser morta”, afirma.

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