Projeto no RN reaproveita água de esgoto para produção agrícola

O Globo Rural deste domingo (19) fala sobre o reaproveitamento de esgoto para produção agrícola, o chamado reuso da água. Um projeto no Rio Grande do Norte está dando bons resultados.

O agrônomo Lirani Dantas comprou uma propriedade com uma estação de tratamento de esgoto, ao lado da cidade de Florânia, que fica quase no coração do semiárido do Rio Grande do Norte, a 230 km de Natal.

O esgoto de Florânia desce todo para o local e antes o que era um desconforto, hoje é um benefício. Lirani criou pastagens que não deixam a desejar das encontradas nas fazendas do Centro-Sul do país.

O que Lirani fez foi captar água do terceiro tanque, onde já se considera que o esgoto esteja tratado, e pulverizar os pastos. O capim reagiu com toda força e o gado respondeu com muito vigor. “Essa água é uma solução nutritiva. É uma água com nutrientes. Não uso adubo”, conta Lirani.

No estábulo, a produção de leite praticamente triplicou. Segundo o veterinário Jaílson Santana, o reúso não implica em manejo diferente. Bem nutrido, o rebanho tem mais imunidade. Mas há um cuidado fundamental com as vacas em lactação. Por isso essas vacas não passam perto do tanque que recebe o esgoto in natura.

O especialista em saneamento e engenharia ambiental, Cícero de Andrade, diz que tem países que reaproveitam até 70% do esgoto doméstico. Alguns países já têm tubulação de grande porte para transportar o esgoto urbano até o campo. É o caso de Israel, Austrália e México. Uma maneira inteligente e sustentável de transformar poluição em produção.

Outra experiência positiva

Na grave crise de falta d´água do Nordeste, uma experiência que abre novos caminhos acontece no Rio Grande do Norte. Para o Nordeste seco, sempre se fala em perfuração de poços, construção de barragens, transposição, mas uma alternativa se abre com o reuso de água, reuso do esgoto de cidade, que tratado, pode ser muito bem-vindo na agricultura.

Em Santana do Seridó, agricultores e zootecnistas aprenderam a reverenciar a água. Localizado bem na divisa do Rio Grande do Norte com a Paraíba, o município é cortado por afluentes do Rio Seridó, cursos d’água temporários, que correm por apenas dois ou três meses do ano, quando é ano de chuva.

Só que em vez de ficar se lamentando pelo leito seco, alguém propôs que se olhasse para uma outra fonte de água para a qual a maioria das pessoas torce o nariz e tem até nojo, mas que pode funcionar como um rio perene: é o esgoto da cidade.

Quem propôs que o esgoto servisse como um rio perene, um fluxo continuo, foi o zootecnista e professor federal Ivan de Oliveira Junior, baseado no seguinte: os municípios do Seridó recebem água de longe, via adutora, às vezes dia sim, dia não ou só por algumas horas, mas a todo momento tem gente lavando roupa, usando o banheiro e tomando banho.

O projeto de reciclagem da água já recebeu troféus da ONU, da Caixa e levou o Prêmio Mandacaru, em dinheiro que foi revertido no próprio projeto.

Assista ao vídeo com a reportagem completa e veja como a obra de baixo custo irriga com água de reuso um campo de palma que tem capacidade para produzir 400 toneladas de matéria verde por ano.

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