Fonoaudióloga dá dicas para profissionais cuidarem da voz
Faz dois meses que o intérprete oficial da Imperatriz Leopoldinense, Arthur Franco, de 48 anos, começou a cuidar do seu bem mais precioso: a voz. A fonoaudióloga Isabel Monteiro de Godoys é a responsável por trabalhar com a equipe de dez cantores da escola de samba e ajudá-los a criar resistência vocal.
— Já senti uma melhora de 60% na minha resistência e no conforto. Estou fazendo menos esforço na hora de cantar e terminamos os ensaios mais inteiros. Nós fazemos aquecimentos com a doutora Isabel quatro vezes por semana e temos aula de canto às quartas-feiras — conta Franco, que estreia como intérprete oficial este ano, com o enredo “Xingu, o clamor que vem da floresta”.
A especialista explica que os profissionais que trabalham com a voz devem ficar atentos aos cuidados. Tudo pode influenciar esse frágil instrumento de trabalho: a alimentação, a hidratação, a mudança de temperatura, as roupas, entre outros fatores.
— O intérprete é o porta-voz da escola de samba, é ele que vai contar a história na avenida. Então, ele precisa ter consciência da sua voz nesse espaço aberto. Os exercícios de relaxamento e respiração que fazemos têm como maior ganho a resistência vocal — conta Isabel.
Segundo a fonoaudióloga, o treino da voz também é importante para outros profissionais. Em seu consultório, ela trata de cantores — gospel, sertanejo, de samba e pagode —, professores, jornalistas, palestrantes, camelôs e ajudantes de vans (aqueles que gritam os itinerários para atrair os passageiros).
A metodologia da especialista será publicada no livro “Voz no samba”, que será lançado durante a Semana Internacional da Voz, em abril deste ano.
Abuso pode causar lesões nas cordas vocais
O abuso do uso da voz pode causar danos irreparáveis às cordas vocais. De acordo com o otorrinolaringologista Marcos Sarvat, professor da Unirio, o profissional que estiver com a voz rouca ou oscilando deve procurar um médico o quanto antes.
— O excesso da voz pode fazer aparecerem pequenos hematomas nas cordas vocais ou forçá-las sobre uma inflamação, o que ocasiona o surgimento de lesões fonotraumáticas. Por vezes, elas têm que ser tratadas cirurgicamente — explica.
Outro cuidado importante é não fumar. Segundo Sarvat, o tabagismo leva ao espessamento das cordas vocais, o que altera completamente a voz da pessoa:
— Também existe a possibilidade do desenvolvimento de carcinomas, o tumor mais comum nas cordas, que tem relação direta com o fumo.
