Esculturas gigantes chamam atenção para questão do lixo, na Cinelândia
Na Cinelândia, uma instalação de quatro metros de altura chama a atenção de quem passa apressado na hora do almoço. De longe, Sofia Lopes, de 7 anos, tenta adivinhar o que é: “Um pé. Uma meia?”. A guimba de cigarro gigante fixada no meio da Praça Floriano Peixoto pelo movimento Rio Eu Amo Eu Cuido busca dar visibilidade ao lixo que é jogado nas ruas, como informou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO. Assim como no Centro, foram espalhadas, ontem, mais três esculturas pela cidade — nas Zonas Sul, Oeste e Norte — para mostrar que os pequenos lixos são, na verdade, grandes problemas.
Com o título “Incomoda, né?!”, a “Exposição Problemão” é voltada para a conscientização sobre o descarte do lixo. Na Praça Antero de Quental, no Leblon, o copo de cafezinho derramado também ganhou tamanho e significados diferentes. No Méier, um chiclete gigante está na Praça Agripino Grieco e, no Calçadão de Bangu, um canudo está exposto. Sofia já aprendeu: seus pais explicaram “porque o lugar de lixo é no lixo”.
— Faço questão de que a Sofia aprenda , já que onde moramos basta chover para alagar tudo — explica o instrumentador cirúrgico Wellington Oliveira, de 34 anos, morador de Duque de Caxias.
Coordenadora do movimento Rio Eu Amo Eu Cuido, Ana Lycia Gayoso explica que a ação ampliou um problema com o objetivo de debater o lixo.
— Essa ação é justamente para ninguém falar que não viu. A mudança passa pelo empoderamento do cidadão e de sua cidadania. É triste quando se tornam necessárias medidas coercitivas, como a multa.
De agosto de 2013, quando o Programa Lixo Zero começou, até ontem, segundo a Comlurb,181.065 mil multas foram aplicadas, 162 por dia. As embalagens e as guimbas, somando 65% do descarte incorreto. A multa é de R$ 185.
O lixo pode demorar de cinco a cem anos para se decompor, segundo a professora de Engenharia Ambiental da Estácio Helem Borges. Os problemas vão do entupimento de bueiros até a contaminação de lençóis freáticos.
