Plano Decenal de Energia aposta em 83% de renováveis até 2025
O plano decenal é um documento de responsabilidade do Ministério de Minas e Energia e da Empresa de Pesquisa Energética EPE, atualizado anualmente e que serve como um indicativo de tendências da política energética.
De acordo com o novo PDE, houve uma redução de cerca de 1% no parque gerador de eletricidade em relação ao projetado no PDE anterior (saindo de 212,5 GW para 210,8 GW), mas ainda assim 50% maior quando comparado ao parque atual (140,9 GW em 2015). Por outro lado, a qualidade da energia gerada será mais ambientalmente correta, com diminuição da representatividade de carvão, óleo e gás industrial, manutenção da predominância da energia hidrelétrica e crescimento de eólica, biomassa, gás natural e solar (atualmente pouco explorada).
No total, a capacidade de geração a partir de fontes renováveis deve somar em 2025 até 175 GW, o que representaria 83% do parque instalado. Hoje o país possui 112 GW de usinas baseadas em fontes renováveis, o que significa cerca de 79% do total. Juntos, biomassa, eólica e solar devem reunir 28% do parque gerador brasileiro em 2025. Esta é uma demanda do WWF-Brasil, que vê a possibilidade do Brasil chegar a 100% de sua energia de forma renovável até 2030, com destaque para as alternativas não hidráulicas.
“Existem cenários no Brasil que mostram que é possível chegarmos ao 100% de energia renovável em nossa matriz sem a criação de novas usinas hidrelétricas, aproveitando principalmente as fontes solar, eólica e de biomassa”, diz o coordenador do programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, André Nahur, acrescentando a necessidade de criação de políticas governamentais, como incentivos fiscais e facilitação de crédito para quem decida investir em energia renovável alternativa.
Apesar de uma diminuição de representatividade (caindo de 65% atuais para 55% da base em 2025), a energia hidrelétrica teria um aumento de 24 GW, segundo a previsão do PDE 2025. Nahur relembra que recentemente o Ibama cancelou a permissão de construção da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós exatamente por reconhecer os danos que esta grande obra traria ao meio ambiente e à população indígena que vive na região.
“A geração de energia solar, por exemplo, é a fonte que tem o maior porcentual de geração de empregos. Com investimentos neste setor, podemos diminuir as emissões de gases de efeito estufa, gerar economia na conta de eletricidade para empresas e residências e estimular o desenvolvimento do país. Incentivar este mercado traz benefícios para todos”, comenta André, citando a existência da iniciativa Selo Solar, do qual o WWF-Brasil faz parte, e que estimular empresas e consumidores a fazerem a transição para energia solar.
