Crônica da vida real
Tháis Quintão*
Vejam só como é a humanidade! O termo ecologia foi criado em 1869 por Haeckel, porém só se popularizou em 1960 devido aos alertas sobre problemas globais gerados pela poluição e fenômenos que geraram algumas mortes. A história agora parece se repetir! Depois que alguém gritou “aquecimento global” a sustentabilidade atingiu demasiado clímax e todos apontaram os culpados, sem realmente conhecerem o ambiente em que vivem.
Ainda ontem me deparei com uma situação interessante na praia onde moro. Um garotinho que estava dentro de um carro jogou um papel pela janela e imediatamente sua mãe o corrigiu, ordenando que o menino saísse e recolhesse o lixo jogado. Após feito, a mãe estacionou seu carro na restinga e ali ficou. Inclusive, havia uma enorme placa com os dizeres:
“Restinga: área de preservação permanente. A vegetação de restinga protege a praia da erosão marinha. Não corte, não queime, não estacione veículos”
Sempre que me lembro desta cena, vejo o quanto o ” ser sustentável” está popular e para seguir essa moda basta não jogar lixo no chão, culpar empresas grandes pelo aquecimento global e não jogar óleo no ralo da pia. Fácil, não é? Pelo menos é mais simples que compreender e valorizar a natureza.
Outro exemplo dessa alienação sustentável é que todos parecem saber o quanto o nível do mar está subindo, mas poucas destas pessoas sabem que o nível dos oceanos aumenta e diminui naturalmente mesmo sem influência do “derretimento das calotas polares”, segundo noticiado nos telejornais. E, como diz o ditado, o buraco é mais em baixo, e os problemas que envolvem a natureza, tais como desmatamento e poluição, só ocorrem porque a população não tem consciência do sistema biosfera.
Em minha opinião, essa cadeia insustentável de problemas ambientais tem como base a ignorância, no sentido de haver falta de conhecimento que, aliás, surge na escola. E como todos nós sabemos que a educação das crianças é a única saída para um novo futuro, a compreensão ambiental deveria estar presente também nas escolas públicas, mas o tema educação é assunto para outro dia!
Também são essenciais campanhas por parte dos governos estaduais que expliquem a importância da preservação e não apenas digam para preservar!
Acho que por isso eu resolvi fazer Oceanografia. Poder conhecer profundamente a natureza sempre foi minha vontade. É claro, as pessoas não precisam fazer oceanografia para saberem preservar, afinal, o conhecimento está em todo lugar, basta haver interesse em preservar!
Aliás, esqueci de mostrar. Essa é a minha praia (do começo da história)… Linda, não?
*Tháis Quintão é do Espírito Santo, estudante de oceanografia e blogueira do Ambiente Maior
