Planta é utilizada para produção de geleias, além de possuir propriedades medicinais
Quando vim de mudança pra roça, trouxe na bagagem um bocado de expectativa, uma tanteira de bobagens na cabeça pra ficar caraminholando e um tiquim de semente de hibisco (Hibiscus sabdariffa).
De tudo que trouxe, acho que só o hibisco até hoje está frutificando. Aqui é uma região onde existem doceiras afamadas, como Dona Elizabeth, ali do Milho Verde, que faz uma marmelada inigualável. Já em São Gonçalo, temos a Cida de Ademil, que produz geleias maravilhosas usando frutas de época. Sabendo disso, plantei minhas sementes de hibisco, colhi seus frutos carnosos e preparei com cuidado uma geleia, que levei até ela esperando sua aprovação.
Depois de provar desconfiada, ficou buscando algum sabor de seu conhecimento, pro azedinho vermelho-rosado do doce. Ainda lhe dei um pouco de sementes e lhe disse que no ano seguinte seria ela a me dar um pote de geleia. Pois num é que deu certo? De lá pra cá se vão muitos anos. E essa é uma das geleias com maior aceitação e procura.
Carece de explicar pra todo mundo que não estamos falando daquele hibisco ornamental, muito usado como cerca viva nos sítios e chácaras, chamado muitas vezes de lampião ou rosa-sinensis. O referido aqui num apresenta flor lá muito vistosa. Mas o cálice que abraça seu fruto tem uma cor vermelho-rosada que encanta o vivente e por aqui atende pelos nomes de azedinha, quiabo-azedo, rosela e vinagreira.
De uns tempos pra cá, dei reparo que vez por outra surge uma “planta milagrosa”, levando todos ao olimpo da beleza. Geralmente é uma dessas que, até semana passada, estava esquecida num canto de quintal e, de repente, se dá o milagre: “Use para se transformar num modelo de capa de revista”. Bom, nem preciso dizer que isso não existe e o máximo que dá pra fazer é ser feliz com o que se tem e se é. Pois com o Hibiscus sabdariffa se deu esse troço de virar a “úrtima moda” das dietas. Coitado, saiu da cozinha e foi-se para a farmácia sem nem mesmo ter tempo de dar um tchau!
Montado em muita pesquisa, hoje ele comprovadamente tem ação antiespasmódica, anti-inflamatória, reduz a hipertensão. E por ser um excelente diurético, age como um laxante suave e auxilia nas dietas de emagrecimento. O cálice da flor é rico em flavonóides – reconhecidos como protetores contra os radicais livres, além de cálcio, magnésio e ferro, e vitaminas A e C. Seu chá tem fama de emagrecedor, imagine você! Isso é derivado de seu poder de estimular o metabolismo, ajudando a reduzir o colesterol ruim. Pela boa atividade diurética, a mulherada o adora por diminuir os líquidos corporais e, com isso, diminuir a formação ou agravamento da celulite.
Quer mais? Só preparando uma geleia. Anote aí: colha um bocado de seus frutos, separe os cálices, lave-os com cuidado e ponha no liquidificador com um tiquim de água. Despeje tudo num tacho, acrescentando o mesmo tanto de açúcar ou um pouco menos. Leve em fogo brando até dar o ponto, que é passar a colher de pau e ver o fundo do tacho. Acrescente pétalas de rosas de seu jardim e encante seus convidados!
(*) Jornalista e consultor em plantas medicinais.

