Cidades e Soluções mostra como Paris transforma lixo em energia
Paris utiliza de métodos sustentáveis para fazer a diferença em um mundo com menos CO2. a A Cidade Luz tansforma o lixo em energia elétrica e utiliza a água de um de seus rios mais famosos para a limpeza de ruas. O ‘Cidades e Soluções’ mostra o processo de reutilização do lixo e da água, além do Museu dos Esgotos da metrópole, que sediou a maior reunião diplomática da história, a COP21.
A cada dia, são três mil toneladas de resíduos recolhidas na cidade – e o parisiense ainda não separa o lixo seco do orgânico com o mesmo entusiasmo de outros europeus, como os holandeses ou os alemães. Por isso, apenas 16% dos dejetos de Paris são reciclados, segundo dados oficiais. Quase todo o resto, 80%, parte direto para a incineração, uma escolha que começou a ser feita há mais de 120 anos e hoje gera até energia.
“Foi uma escolha feita há muitos anos. Escolhemos parar com os aterros, quase não enterramos mais o lixo. Hoje, ainda resta cerca de 5% e esperamos chegar a 0% até 2020. Por quê? Porque os aterros poluem muito mais os solos. Em segundo lugar, podemos valorizar o processo, gerar energia quando queimamos o lixo. O vapor entra na rede de calefação e permite alimentar a companhia parisiense de aquecimento urbano. Desta forma, aquecemos muitos prédios de Paris ou na periferia”, explica Mao Peninou, secretário de Limpeza e Tratamento de Esgoto.
Considerada uma das mais modernas usinas de tratamento de esgoto da Europa, a Isseane incinera duas mil toneladas de lixo por dia. O vapor gerado nesse processo consegue aquecer 100 mil casas por ano durante o inverno. Para limitar as emissões de gases gerados pela incineração, dispõe-se de mais técnicas modernas, como a limpeza da fumaça antes de jogá-la na atmosfera.
Criou-se, também, uma iniciativa de tratar a água do Rio Sena e Marne. O objetivo era ter uma rede de transporte de água não potável, além da rede de água potável. A maior e mais antiga estação de tratamento fica na bacia de La Villette, no nordeste da capital francesa.
“Tiramos as sujeiras maiores, os galhos e vegetais. E, depois, ela é injetada em 2 mil quilômetros de encanamentos de Paris, para ser usada ou na limpeza das calçadas ou para regar os jardins. Amanhã, provavelmente, novos usos virão”, afirma o Celia Blauel, secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Paris.
Além dessas medidas sustentáveis, Paris tem o museu mais exótico da cidade, o Museu dos Esgotos. Ao visitar essa rota, que é considerada pelos turistas a mais pitoresca, percebe-se que é uma Paris subterrânea. Pode-se encontrar os nomes das ruas e até mesmo o número de cada endereço. Desta maneira, se tiver algum problema de encanamento, fica mais fácil de resolver.
“A rede parisiense pode ser quase totalmente visitada, o que é raro. A rede é toda canalizada, e desta forma a gente pode fazer intervenções sem precisar quebrar a calçada, o que é muito cômodo. As galerias são grandes e permitem a passagem do que chamamos de galeria técnica: são os canos de água, mas também os cabos de informática, o sistema de sinalização das ruas e das câmeras se segurança etc”, afirma Emmanuel Souquet, chefe da Subdivisão de Gestão dos Esgotos de Paris.
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Fonte: Globo News
