Pesquisa analisa os efeitos da urbanização em população de jararacas

A existência de um habitat adequado é uma das principais características necessárias para a persistência de populações animais. Portanto, alterações quantitativas e qualitativas no ambiente podem gerar sérias consequências ecológicas. Uma das causas mais comuns da alteração da qualidade, diminuição da área habitável e isolamento é a fragmentação florestal trazido pela urbanização. Remanescentes florestais podem funcionar tal como ilhas oceânicas, e as espécies animais residentes podem apresentar variações morfológicas como nanismo ou gigantismo, causado geralmente pela alteração da dieta e ou incidência de predadores.

Esse foi o mote que orientou a pesquisa do estudante de mestrado, Lucas Henrique Carvalho Siqueira, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), em São José do Rio Preto (SP). Intitulada “Efeitos da urbanização em uma população de Bothrops jararaca” a pesquisa analisa uma espécie de serpente popularmente conhecida como jararaca-da-mata.

O pesquisador conta que “neste trabalho foram investigadas a existência de diferenças no tamanho corporal, disponibilidade de presas e pressão de predadores em duas populações de Bothrops jararaca de dois parques do município de São Paulo sujeitos a diferentes graus de urbanização”, relata. O estudo concluiu que “as serpentes não apresentaram diferenças de comprimento e robustez entre as duas populações, entretanto houve uma tendência de aumento na proporção de fêmeas maiores no parque urbano”. O que significa que a oferta de recursos e a pressão de predadores foram significativamente maiores no ambiente com menor influência da cidade.

Os resultados sugerem que a menor oferta de presas no parque urbano não diminui significativamente o crescimento de Bothrops jararaca, porém esta característica aliada à menor incidência de predadores podem causar consequências ecológicas ao longo da evolução, indicando a necessidade de conservação destes parques urbanos.

 

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