Maior lua de Plutão pode ter abrigado oceano sob superfície

Novas imagens da sonda New Horizons, da Nasa, sugerem que a maior lua de Plutão pode ter sido lar para um grande oceano submerso sobre a superfície do astro. De acordo com uma nota da última semana da agência espacial americana, o oceano de Caronte se congelou há muito tempo e se expandiu, causando imensas ranhuras no solo. Indícios da presença de água são sempre comemorados pelos astrônomos, que buscam locais no espaço que possam abrigar organismos vivos, rastreando as condições que proporcionaram o surgimento dos seres por aqui, como a água ou moléculas orgânicas complexas.

Mudanças geológicas – De acordo com a Nasa, a superfície de Caronte é repleta de cumes, declives e vales com até sete quilômetros de profundidade. Segundo os especialistas, o conjunto de ranhuras no solo pode ter sido provocado por esse grande oceano, que teria se congelado sob a superfície do astro. Nesse processo, ele teria se expandido (como acontece com a água ao congelar), causando as fissuras na superfície, vistas pela New Horizons. “É como o que Bruce Banner faria com sua camiseta ao se tornar o Incrível Hulk”, explicou a agência espacial americana no comunicado.

Segundo os pesquisadores, a camada externa de Caronte era essencialmente composta por gelo formado de água. Quando a lua era jovem, o calor provocado pela atividade de elementos radioativos e também proveniente do interior do astro aqueceram essa camada, que derreteu e passou a ser um oceano subterrâneo. Quando Caronte esfriou, a água congelou e se expandiu, produzindo as falhas geológicas.

Abismos em Caronte – O sistema capturado em imagens feitas pela New Horizons tem cerca de 1.800 quilômetros de largura e crateras profundas. É uma área extensa – o Grand Canyon, nos Estados Unidos, tem 446 quilômetros de largura, com abismos de até 1,6 quilômetro de profundidade.

Outras luas do Sistema Solar ainda mantêm oceanos atuais de água líquida sob a superfície. De acordo com os astrônomos, alguns desses oceanos, em Europa e Ganimedes, as duas luas de Júpiter, e em Enceladus, uma das luas de Saturno, são considerados os melhores lugares para procurar vida microbiana.

Os principais candidatos a Terra 2.0

Kepler-425b

Kepler-425b

Anunciado pela Nasa em 23 de julho de 2015, o Kepler-425b está na zona habitável de uma estrela-anã do tipo G2, a mesma categoria do Sol. Com o diâmetro 60% maior que o da Terra e ao redor de uma fonte de luz com a mesma temperatura do Sol, ele tem grandes possibilidades de abrigar água líquida. Localizado na constelação Cygnus, a 1.400 anos-luz (cada ano-luz equivale a 9,46 trilhões de quliômetros), o planeta é, provavelmente, rochoso e dá uma volta ao redor de sua estrela em 385 dias, o que faz com que ele tenha um ano apenas 5% maior que o terrestre. A imagem acima é uma comparação feita pela agência espacial americana entre a Terra e o novo planeta.

Kepler-438b e Kepler-442b

Kepler-438b e Kepler-442b

Candidatos a explonetas mais parecidos com a Terra já descobertos, eles orbitam estrelas anãs vermelhas, menores e mais frias do que o Sol. Enquanto a órbita do primeiro é de 35 dias, o Kepler-442b completa uma órbita em sua estrela a cada 112 dias. Com diâmetro apenas 12% maior do que o do planeta azul, o Kepler-4386 tem 70% de chance de ser rochoso, afirmam os pesquisadores, enquanto o outro, cerca de 30% maior do que a Terra, tem 60%.

Kepler-186f

Kepler-186f

A 500 anos-luz da nossa galáxia (cada ano-luz equivale a 9,46 trilhões de quilômetros) e orbitando a zona habitável de uma estrela anã, esse é o único planeta a ter o mesmo tamanho da Terra. Com isso, os cientistas estimam que ele seja composto de rochas, ferro, água e gelo e tenha uma atmosfera parecida com a do mundo onde vivemos. Além disso, ele tem um movimento de rotação semelhante ao nosso, o que garante uma temperatura bem distribuída em todas as suas faces. Essa soma de características indica que ele pode ter água na forma líquida, um dos fatores fundamentais para a existência de vida sobre sua crosta.

Kepler-62e

Kepler-62e

Descoberto em abril de 2013, está na zona habitável da estrela Kepler 62, um pouco menor e mais fria que o Sol. Estar na zona habitável significa a presença provável de água. Ele fica a 1.200 anos-luz da Terra e tem tamanho 60% superior ao do nosso planeta. Sua órbita é de 122 dias e os cientistas estimam que ele pode ser rochoso, como Marte, ou formado de oceanos.

Kepler-22b

Kepler-22b

Localizado a 600 anos-luz da Terra, tem 2,4 vezes o raio do nosso planeta e está bem no meio da zona habitável de uma estrela muito parecida com o Sol. Foi encontrado em 2011 e demora 290 dias para dar a volta ao redor de sua estrela, o que faz com que, possivelmente, tenha as mesmas condições do nosso mundo.

Tau Ceti e

Tau Ceti e

Trata-se do planeta na zona habitável da estrela Tau Ceti, que fica na constelação da Baleia, a 12 anos-luz do nosso Sol, e é muito semelhante a ele. Tem cerca de cinco vezes a massa da Terra e os cientistas ainda não sabem se sua composição é rochosa ou gasosa, como os planetas gigantes.

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