São Paulo consome o dobro do sal recomendado pela OMS, diz pesquisa

Uma pesquisa do Instituto Adolfo Lutz de São Paulo mostrou que os paulistas estão consumindo o dobro da quantidade de sal recomendada pelos órgãos de saúde. E isso aumenta muito o perigo do excesso de ingestão de iodo.

Segundona: dia oficial de começar aquela dieta. Encher o prato de salada, né, Wagner?

“Exagera no final de semana, chopinho, pizza, whiskinho, e aí para compensar saladinha segunda-feira, manter o corpinho, começar a semana bem”, diz o empresário Wagner Ganho.

E o que falar da Isabela? Ela escolheu a dedo o almoço: alface, rúcula, tomate, um peixinho grelhado. Estava tudo indo bem, até que a Isabela resolver dar uma caprichada na comida com sal.

“Para mim é difícil ficar sem sal. Acho que só doente mesmo que a gente come comida sem sal. Mas eu não consigo”, conta a comerciante Isabela Menossi.

E não é só a Isabela que está exagerando não. No restaurante, o que a equipe do Jornal Nacional mais viu foi isso: no prato da salada dá-lhe sal. Alface, cenoura, tem um monte de legume, coloca o sal. E quem não resiste àquela batatinha, faz o que? Põe mais sal. E lá se foram três, quatro sachês.

Mas a Organização Mundial da Saúde diz que a gente deve consumir no máximo cinco gramas de sal por dia. É o equivalente a uma colher de chá. Só que uma pesquisa feita em todo o estado de São Paulo durante 15 anos, mostrou que os paulistas estão abusando, consumindo o dobro: dez gramas.

Muito sal pode levar à hipertensão, problemas renais e até o infarto. E nele tem um ingrediente que também tem que ser consumido no ponto: o iodo. O iodo é a matéria-prima para fabricar os hormônios da tireoide, uma glândula que fica no pescoço.

Os pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz descobriram que os paulistas estão consumindo 272 de microgramas de iodo por dia. O ideal seria 150.

“A população precisa estar atenta para esse alerta. Ela não está só causando os problemas de hipertensão, mas pode estar desencadeando esses problemas voltados a doenças relacionadas à tireoide”, afirma a pesquisadora do Instituto Adolfo Lutz Marcia Regina Mello.

O excesso de iodo provoca um desequilíbrio hormonal. Pode ser hipotireoidismo, que diminui a atividade cerebral, os batimentos cardíacos e causa sonolência excessiva. E também o hipertireoidismo.

“Nervosismo excessivo, atividade cardíaca aumentada, aumento de pressão, sudorese. E, portanto, uma série de problemas energicamente”, explica o endocrinologista Marcello Bronstein.

Se essas doenças não forem tratadas, podem se agravar e levar a pessoa à morte. Agora que você já sabe, não vai me fazer como o Carlos.

“Se não colocar o sal, a gente acha que a comida ficou sem gosto mesmo. Principalmente salada: tem que ter um sal”, diz o comerciante Carlos Freitas.

Vai no exemplo do Rodrigo, o marido da Isabela. Aquela que adora um salzinho a mais.

“Sem sal por hoje. Só o sal que já foi preparado na comida”, afirma Rodrigo.

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