Alimentação dos pais deve ser exemplo para hábitos das crianças

Se o ditado já diz que “educação vem de berço”, a alimentação saudável segue a mesma linha. Desde a gestação até a amamentação, a mãe é a única responsável por nutrir o bebê e, por isso, precisa atentar-se ao equilíbrio de nutrientes no prato.

Por volta dos seis meses de idade, quando começam as papinhas, a tendência dos bebês, segundo a professora Priscila Chasseraux, coordenadora do curso de Nutrição da Universidade Anhanguera de São Paulo, é por alimentos doces. “Pedimos que não adicione açúcar branco de mesa (sacarose) e deixe a criança acostumar-se com o açúcar natural das frutas (frutose).”

Nos primeiros anos de vida, a recomendação da coordenadora de Nutrição é deixar os alimentos na forma integral e crua. “Dessa maneira, é possível saber que a cenoura é uma raiz e que não é sempre ralada. Optar sempre por alimentos frescos e evitar ao máximo os industrializados e com conservantes.”

A alimentação adequada para as crianças deve conter todos os alimentos previstos pela pirâmide: cereais, tubérculos e raízes, proteínas animais (carnes, peixes, aves, leite e derivados, ovos) e vegetais (feijão, lentilha, ervilha seca), frutas, verduras e legumes, gorduras saudáveis, mas em pequena quantidade, como azeite de oliva, óleo de soja ou de canola (não aquecidos), e uma mínima quantidade de açúcar simples e doces.

A mesma regra deve ser observada na hora de montar a lancheira para a escola. “Frutas podem ser colocadas com certeza por serem saudáveis. Para bolachas é preciso cuidado, pois as crianças preferem as recheadas, que possuem gorduras trans, que são maléficas ao organismo. Pão com requeijão ou com geleia de frutas e leite ou suco de frutas naturais também são opções saudáveis. Não há alimentos proibidos, e sim alimentos que devem ser consumidos esporadicamente. Uma alimentação saudável é composta por um cardápio equilibrado em quantidade e qualidade”, explicam a pediatra Denise de Oliveira Schoeps e a nutróloga Fabiola Isabel Suano de Souza, professoras do Departamento de Pediatria da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC).

Apesar dos esforços para hábitos saudáveis, não é possível privar a criança de experimentar doces, refrigerantes ou salgadinhos. “Em algum momento ela vai ingerir tais alimentos, então deixe que isso seja feito em casa, com controle. Porque quando for oferecida à ela, não irá atacar e comerá como outro alimento, sem tabus. Hoje há também opções com baixa caloria e com fibras e frutas”, conta Priscila.

Para as especialistas da FMABC, o exemplo dos pais é de extrema importância na hora da educação alimentar dos pequenos, que são constantemente bombardeados por propagandas. “A vida corrida de hoje obriga muitas famílias a consumirem alimentos prontos, sendo as opções frutas e verduras pouco frequentes até pela maior dificuldade de preparo e deterioração mais rápida. Portanto, para que a criança aprenda a comer bem, a família também deve comer bem.”

Uma outra dica da nutricionista da Anhanguera para fazer com que as crianças se interessem mais por alimentos saudáveis é pedir ajuda delas na preparação das refeições. “Ou mesmo andar pelo supermercado explicando sobre cada alimento. Se for possível, mantenha uma horta de temperos em casa. Isso, além de mais saudável, traz responsabilidade à criança para que ela cuide e regue.”

Mas, caso o pequeno já esteja acostumado com comida mais industrializada e se recuse a experimentar outras refeições pode ser preciso até interferência profissional, que trabalhará a inserção de novos alimentos de forma lúdica. “Se a criança aprender que não comendo o alimento que lhe é oferecido ela ganhará aquele que quer, vai usar desse fato para conseguir do adulto apenas a comida que deseja, que geralmente não é a mais adequada. Quando a criança se recusar a aceitar os alimentos, eles não devem ser substituídos. É preciso dizer que entende que ela não esteja com fome naquele momento e quando estiver receberá a mesma refeição que recusou agora”, afirmam a nutróloga e a pediatra da FMABC.

Comida saudável atrai buffets infantis
Para não ficar atrás na onda de alimentação saudável, o mercado de festas infantis também está investindo no setor. O buffet itinerante Bicho de Pé, que está entrando agora na área e atende a região, aposta também na sustentabilidade.

Já conhecido no meio de eventos, Paulo Parente pesquisou por 10 meses sobre comida saudável, vegana e opções para quem tem intolerância alimentar. “Todas as nossas comidas são sem gordura, sem açúcar, não tem frituras nem refrigerantes”, conta o proprietário do buffet.

Entre as opções de guloseimas saudáveis estão cookies de farinha de banana verde, muffin de laranja com amêndoa, hambúrguer de quinoa, tapioca, pão de queijo, pizza com massa feita pelos cozinheiros do buffet.

“A apresentação é muito importante para as crianças. A melancia, por exemplo, é oferecida em formato de sorvete de palito, a carambola é uma fruta bem bonita, então fatiamos de uma forma agradável”, afirma Parente.

Além da alimentação, o Bicho de Pé também fica responsável pela recreação da festa, que pode custar entre R$ 96 a R$ 130 por convidado. “Preservamos o lado ecológico. Então, se no espaço da festa não tiver acesso à terra, levamos grama sintética porque a ideia é que as crianças passem todo o tempo com o pé no chão para descarregar energia. Mais para frente, vamos oferecer tinta a base de urucum, mas como mancha a roupa, vamos oferecer camisetas para os pais não se preocuparem com a sujeira.”

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