Ilha de Marajó encanta turistas

Lugar onde mar e rio se encontram é opção de passeio na ilha. Visitantes de divertem nas piscinas naturais quando a maré está baixa.
O Tô de Folga é com o repórter Mário Bonella. Ele saiu de Vitória, no Espírito Santo, e foi para a Ilha do Marajó, no Pará. Na primeira reportagem, ele mostrou a área rural da ilha. Agora, ele mostra o litoral. Veja como foi o passeio:
“É no cais, em Belém, que começa a nossa viagem para Ilha de Marajó. Pela primeira vez venho à região Norte, encontro quem veio ainda mais de longe. Um italiano, mas que conhece bem a ilha e vai me guiar.
“Vai encontrar o oceano, uma natureza exuberante e o oceano que dá a ilha duas visões diferente a cada seis horas”, fala Anfello Gentille.

Angelo se encantou pelo Marajó, e se mudou para ilha. Transformou um casarão antigo em pousada, mas para chegar até lá a gente tem que subir o rio Pará. A gente se despede da cidade de Belém e seguimos de barco, ou melhor, de balsa. Vamos para o Marajó.
Na balsa, a viagem é assim: você paga R$ 15 e vai sentando em cadeiras acolchoadas e tem televisão. Mas se você pagar R$ 8 a mais aí tem uma espécie de sala vip, com poltronas mais confortáveis, ar-condicionado e TV também, mas eu confesso que o que mais me encantou não foi ficar sentado. Bom mesmo foi curtir a viagem do lado de fora da balsa. Pela primeira vez me vi num rio tão grande, onde a gente nem consegue ver as margens e tem ilhas no meio do rio.

Se acabar o combustível, tem o posto de gasolina flutuante. Quando a água do rio começa a mudar de cor é sinal que estamos chegando. Depois de quatro horas a gente vai chegando a Ilha do Marajó. Hoje o rio estava bem calmo e parece que essa sensação também passa para gente. É como se a vida aqui seguisse outro ritmo bem mais sossegado.
Nessa tranquilidade a gente chega à fazenda São Gerônimo. Seu Brito, o dono da fazenda, nos leva para o passeio. Começa com uma trilha no meio da mata recuperada. Trinta anos atrás tudo aqui era pasto.
Da mata passamos por uma passarela no meio do mangue. As raízes expostas formam um labirinto. A gente passa por dentro da árvore, ou melhor, estas árvores. As duas são unidas. A lenda diz que um casal de índios de tribos rivais se matou nesse lugar e por isso as árvores nasceram assim, juntas.

A outra parte do passeio é dentro do barco, a remo, para não espantar os bichos. A cada curva do igarapé, uma surpresa. Garças, guarás, o mergulhão também nos observam. As bolsas, penduradas no alto, são ninhos de um pássaro chamado Japu e dentro d’água, a lontra deixa a gente chegar bem perto.

Agora estamos chegando à baía do Marajó. A água do mar invade os igarapés. Quando a maré está baixa, dá para atravessar uma parte a pé. Quando está alta, o pessoal tem uma outra maneira de fazer a travessia: eles vão de búfalo. O animal atravessa nadando e quem quiser vai na garupa. Um barco fica por perto para ninguém se afogar. Eu não topei essa aventura, não. Achei melhor curtir as águas calmas dos igarapés e das praias do Marajó.
Quando a maré está baixa na Praia do Pesqueiro se formam as piscinas naturais no meio da areia. E como aqui é uma mistura do rio com o mar, a água não é doce nem salgada. Fica assim, um meio termo, e a temperatura é ideal para refrescar o calor que faz no Marajó.
Mas é sempre bom ficar de olho na maré. Ela enche muito rápido. Eu me distraí e quando percebemos, a faixa de areia de quase 100 metros já estava coberta pela água. Saímos às pressas, com água quase na cintura.

Mais prudentes foram os turistas alemães que só ficaram na areia. Nesse lugar onde mar e rios se encontram, a natureza ainda preservada é o maior encanto da Ilha do Marajó.”
