Primeira vacina contra a malária recebe sinal verde da Agência Europeia de Medicamentos

A primeira candidata a vacina contra a malária ganhou um sinal verde da Agência Europeia de Medicamentos, e até o final do ano a Organização Mundial de Saúde (OMS) avaliará se recomenda o uso da droga para as crianças em programas de vacinação. Com isso, ela poderá ser aprovada pelos órgãos de vigilância de países da África Subsaariana, principal alvo desse imunizante.

A eficácia da vacina Mosquirix não é alta — em torno de 30% —, mas cientistas comemoram ter pelo menos uma opção de combate à doença que matou 584 mil pessoas em 2013, sendo 90% na África e 83% crianças abaixo de 5 anos, segundo relatório do ano passado da OMS.

— Com a chegada da vacina, em vez de cinco, seriam dois surtos de malária por ano em crianças — explicou, ao “Huffington Post”, Martin De Smet, da ONG Médicos Sem Fronteiras e especialista no tema.

Ao “Washington Times”, o mesmo médico acrescentou que “a vacina em si é decepcionante” e “não é o divisor de águas que se esperava”, mas, mesmo assim, é “um passo importante”.

Voltada para crianças entre 6 semanas e 17 meses, a vacina combate o protozoário Plasmodium falciparum, um dos quatro tipos mais comuns que causam malária. Ele predomina na região africana e é o mais agressivo.

NÃO É OPÇÃO PARA O BRASIL

A malária é também um problema brasileiro, sobretudo na região amazônica. Mas o protozoário prevalente lá (85%) é o Plasmodium vivax, segundo estudo publicado nos “Cadernos de Saúde Pública”. Este tipo não é afetado pelo imunizante.

O Mosquirix custou cerca de US$ 500 milhões e foi desenvolvido numa parceria entre a farmacêutica GSK e a Fundação Bill & Melinda Gates. Cada dose deverá custar US$ 5.

Os estudos clínicos envolveram 16 mil crianças e foram conduzidos em 13 centros africanos de pesquisa em oito países (Burkina Faso, Gabão, Gana, Quênia, Malaui, Moçambique, Nigéria e Tanzânia). A eficácia da vacina foi avaliada associada a outras medidas de controle, como inseticida e mosquiteiro, usados por 80% das crianças dos testes.

Num comunicado divulgado nesta sexta-feira, o CEO da GSK, Andrew Witty, comentou que “a resposta para a malária não está completa” e reforçou a necessidade de usar a vacina aliada a outras intervenções. “O trabalho não para aqui”, afirmou Witty, garantindo que a empresa continuará buscando novas formas de combater a doença.

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