Superfície de Marte revela que o planeta é muito mais parecido com a Terra do que pensávamos

Pesquisadores descobriram evidências de uma “crosta continental” em Marte.

Os resultados apresentaram semelhanças surpreendentes ao material encontrado na superfície da Terra. O instrumento de laser ChemCam, anexado ao robô Curiosity, da NASA, analisou algumas rochas coloridas incomuns, em Marte.

É a primeira descoberta de uma potencial ‘crosta continental’ no planeta vermelho. “Ao longo do caminho, o robô viu algumas belas rochas com cristais grandes, brilhantes, bastante inesperadas“, disse Roger Wiens, principal cientista do instrumento ChemCam, do Laboratório Nacional de Los Alamos, na Califórnia, EUA. “Como regra geral, os cristais de cor clara possuem densidade mais baixa, e eles são abundantes em rochas ígneas que compõem os continentes da Terra”.

Marte tem sido visto como um planeta quase inteiramente basáltico, com rochas ígneas escuras e relativamente densas, semelhantes às que constituem a crosta oceânica da Terra, disse Wiens.

No entanto, a cratera de Gale, onde o robô Curiosity fixou-se, contém fragmentos de rochas ígneas muito antigas, de cerca de 4 bilhões de anos, de cores claras. Cientistas franceses e norte-americanos observaram imagens e resultados químicos de 22 desses fragmentos de rocha. Eles determinaram que estas rochas são ricas em feldspato, possivelmente com algum quartzo, e são inesperadamente semelhantes à crosta continental granítica da Terra.

De acordo com a principal autora da pesquisa, Violaine Sautter, esses componentes da crosta marciana possuem grande semelhança com um tipo de rocha terrestre conhecida pelos geólogos como TTG (Tonalite-Trondhjemite-Granodiorite), rochas predominantes na crosta continental terrestre no período Arqueano, há mais de 2,5 bilhões de anos.

Os resultados foram publicados esta semana na revista Nature Geoscience.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *