Obesos podem sofrer de desnutrição: carência de proteínas é comum
Quantidade não é qualidade na alimentação. Prova é o caso do paraibano Carlos Antônio dos Santos Freitas, de 28 anos, internado para tratar a obesidade no Hospital das Clínicas de Recife. Mesmo com 420 quilos, o jovem foi diagnosticado com desnutrição, por carência de proteínas. Segundo o endocrinologista Pedro Assed, a condição nutricional nada tem a ver com o peso.
— O grau de obesidade é calculado em cima do Índice de Massa Corporal (IMC), mas este parâmetro é falho para avaliar percentual de gordura, de massa magra, de minerais e de água — explica Assed, pesquisador do Grupo de Obesidade e Transtornos Alimentares do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (Iede).
Carlos desenvolveu a deficiência proteica porque, apesar de manter uma dieta hipercalórica, não comia carnes. De acordo com a nutricionista Natália Eudes, a obesidade sarcopênica — quando o excesso de peso coincide com perda de massa magra em quantidade ou em função — é uma condição comum.
— A proteína, além de nutrir, dá saciedade. O obeso ingere muito carboidrato, que não sacia e o faz comer mais — diz a especialista, doutora em Nutrição pela Universidade de São Paulo (USP).
A falta de proteínas na alimentação pode levar a comprometimento da imunidade, inchaço, queda de cabelo e alteração da cor dos fios, fragilidade das unhas e sonolência. O agravamento do quadro causa sintomas neurológicos, como confusão mental, e pode até matar por encefalopatia.
Manter uma dieta com as proporções adequadas dos macronutrientes — proteínas, carboidratos e gorduras — é essencial para prevenir problemas de saúde. A deficiência de carboidratos provoca a formação de corpos cetônicos, substâncias tóxicas para rins e cérebro. A ingestão de gordura abaixo do ideal pode reduzir a absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K).

