Missão New Horizons faz aproximação histórica de Plutão nesta terça-feira

plutao,Às 7h49 desta terça-feira (8h49 no horário de Brasília), a sonda New Horizons, da Nasa, será a primeira espaçonave a chegar muito próxima de Plutão, o planeta anão nos limites do Sistema Solar. Nove anos depois de deixar a Terra, ela fará um rasante de 12 500 quilômetros de altitude, tirando fotos em alta definição e colhendo informações sobre o corpo celeste e sua maior lua, Charon. É uma aproximação histórica de uma área desconhecida do Sistema Solar. Pequenos planetas como Plutão são relíquias de mais de 4 bilhões de anos que podem trazer informações reveladoras sobre as origens do Sistema Solar.

“Podemos esperar uma revolução em nosso conhecimento sobre os pequenos planetas. Não sabemos quase nada sobre eles e, em pouquíssimo tempo, teremos revelações surpreendentes”, disse o astrônomo Alan Stern, líder da missão New Horizons e cientista do Southest Research Institute, nos Estados Unidos (SwRI, na sigla em inglês).

Plutão em alta definição – Os astrônomos têm poucas informações sobre Plutão e as melhores fotos dele não passam de um amontoado de pixels enviadas pelo telescópio Hubble, muito distante do planeta anão. No momento da maior aproximação, a câmera telescópica Long Range Recconaissance Imager (Lorri) da New Horizons fará imagens com resolução de uma aproximação equivalente a cerca de 100 metros, o que faz com que detalhes do tamanho de uma bola de futebol possam ser vistos. É uma qualidade até 500 vezes superior aos últimos registros. Isso significa que poderão ser notadas crateras, montanhas, lagos com água, gelo. Pela primeira vez, Plutão e seus satélites serão vistos em toda a sua complexidade.

“Em 24 horas, a qualidade da resolução de nossas imagens vai passar de 15 quilômetros por pixel, para menos de 100 metros por pixel”, afirmou Stern. “Pra se ter ideia do nível de precisão, se o Central Park, em Nova York, estivesse em Plutão, conseguiríamos observar as lagoas do parque”. Contudo, como a sonda, do tamanho de um piano, circula em alta velocidade, a cerca de 49 000 quilômetros por hora, não vai poder parar e ficar em órbita ao redor do planeta anão. Ela terá que fazer seu trabalho em movimento constante, o que pode prejudicar algumas das fotografias coletadas.

Com as primeiras fotos da sonda se aproximando de Plutão, divulgadas na última semana, já foi possível identificar áreas claras e escuras no planeta anão. Com uma foto feita a “apenas” 8 milhões de quilômetros, os astrônomos notaram uma área clara em formato de coração , om cerca de 2 000 quilômetros de estensão. Nas últimas 48 horas, os cientistas também descobriram que há fuga de nitrogênio da atmosfera de Plutão e camadas de gelo nos polos. Além disso, a sonda revelou que Plutão é um pouco maior do que o esperado: tem um raio de 1 185 quilômetros, em vez dos 1 150 quilômetros esperados.

O mistério das luas – A sonda percorreu 4,8 bilhões de quilômetros desde que foi lançada pela Nasa, em janeiro de 2009. Naquela época, Plutão ainda não havia sido reclassificado como planeta anão e ainda menos se sabia sobre ele. Nesta terça-feira, o rasante será feito em piloto automático, para tentar coletar o máximo de imagens do corpo celeste e de suas cinco luas: Charon, Styx, Nix, Kerberos e Hydra. Como Plutão está tão distante, os sinais de rádio enviados à New Horizons pelos controladores em Terra demoram cerca de quatro horas para chegar à missão – o que fará com que as imagens coletadas só cheguem a nós durante a noite.

Com as imagens e informações colhidas pelos equipamentos da New Horizons, os astrônomos procuram saber mais sobre a composição da superfície e atmosfera do planeta anão. Até o momento, sabe-se que sua crosta é coberta de nitrogênio congelado, dióxido de carbono, metano e água, mas muitas outras moléculas podem ser descobertas. A atmosfera é rica em hidrogênio, mas como a gravidade de Plutão é apenas 6% da terrestre, os gases que o circundam são facilmente dispersados pelo espaço.

Além disso, a New Horizons também pretende desvendar alguns mistérios que circundam as luas do planeta anão. Ao longo dos últimos dez anos, o telescópio Hubble descobriu que as quatro luas minúsculas orbitam Plutão e Caronte. Juntos, eles forma um sistema binário de planetas: dois corpos, semelhantes em tamanho, circulando em torno de seu centro de gravidade comum. Com o apoio de fotografias, os pesquisadores analisaram o brilho destes pequenos planetas e suas luas. Nix e Hydra parecem ter uma superfície brilhante, como Caronte, enquanto Kerberos é mais escura. Além disso, elas têm órbitas aparentemente caóticas.

Cinturão de Kuiper – Após se aproximar de Plutão, a New Horizons viajará para uma região do Sistema Solar conhecida como Cinturão de Kuiper, que se estende de Netuno até depois do planeta anão. Em Kuiper existem diversos planetas anões, mas a área foi até hoje pouco explorada por missões espaciais. Essa segunda etapa da viagem está prevista para o período entre 2016 e 2020.

As principais missões espaciais de 2015

Chegada a Plutão

Chegada a Plutão

Plutão ainda não havia sido reclassificado como planeta anão quando a sonda New Horizons (Novos Horizontes, em tradução livre) foi lançada pela Nasa, em 19 de janeiro de 2006, para estudá-lo. A New Horizons chegará ao seu destino em julho e fará as primeiras fotos in loco de Plutão e de Charon, a maior lua desse planeta anão. Esse objeto é tão grande em comparação com Plutão (tem cerca de metade de seu tamanho), que alguns pesquisadores preferem considerá-los como um sistema planetário duplo. “A resolução das imagens da New Horizons serão melhores que as melhores fotos tiradas pelo telescópio Hubble. No momento da maior aproximação, as imagens da New Horizons terão a resolução de uma aproximação de cerca de 100 metros. Assim, objetos do tamanho de uma bola de futebol serão vistos. Pela primeira vez, Plutão e seus satélites serão mostrados em toda a sua complexidade e diversidade e deixarão de ser apenas pontos de luz, que é a forma como os telescópios os veem”, diz o astrônomo Hal Weaver, cientista responsável pela missão New Horizons e pesquisador do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. Em seguida, a New Horizons viajará para uma região do Sistema Solar conhecida como Cinturão de Kuiper, que se estende de Netuno até depois de Plutão. Nesse Cinturão existem diversos planetas anões, mas a área foi até hoje pouco explorada por missões espaciais. Esses pequenos planetas são importantes por tratar-se de relíquias de mais de 4 bilhões de anos. A viagem ao Cinturão de Kuiper, no entanto, está prevista para o período entre 2016 e 2020.

Fim da Missão Rosetta e o despertar do Philae

Fim da Missão Rosetta e o despertar do Philae

A sonda Rosetta, que liberou o módulo Philae para o pouso no cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko em novembro de 2014, continuará em atividade em 2015. Ela acompanhará a trajetória do cometa rumo ao Sol, registrando a formação de sua cauda e as diferentes densidades da poeira que esse corpo vai liberar conforme se aquece. No plano original da missão, 2015 também seria um ano de trabalho duro para o Philae, o robô dotado de sensores para detectar a composição da atmosfera do cometa, câmeras para imagens de alta resolução e ferramentas para medir a densidade, temperatura e propriedade mecânicas da superfície do 67P. O pouso do Philae, no entanto, não saiu como o planejado. O robô estacionou em um lugar sem luz solar, essencial para recarregar suas baterias, e entrou em modo de hibernação apenas 60 horas depois de aterrissar no 67P. De acordo com a Agência Espacial Europeia (ESA), antes de a bateria acabar, o módulo conseguiu enviar à Terra os dados colhidos na superfície do corpo celeste. A esperança dos cientistas é que, conforme o 67P se aproxime do Sol, o Philae receba mais luz solar e saia do modo de hibernação por volta de março. Se o Philae despertar, os cientistas podem tentar refazer algumas medições que parecem não ter dado certo, como a ferramenta de perfuração. Além disso, os dados já enviados pelo robô ainda estão sendo analisados pelos cientistas, e mais novidades podem estar a caminho. Informações sobre as moléculas orgânicas encontradas no cometa, por exemplo, ainda não foram divulgadas. Até agora, o que se publicou é que a água do 67P não se parece com a da Terra.

Gêmeos na Terra e no espaço

Gêmeos na Terra e no espaço

Saber os efeitos do espaço sobre o corpo humano é essencial para o planejamento de missões até pontos mais distantes do Universo. Para ajudar nessa pesquisa, dois irmãos gêmeos se voluntariaram e, com ajuda da Nasa, participarão de um estudo inédito. A partir de março, o astronauta Scott Kelly passará um ano no espaço, a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), na missão mais longa já realizada pela Nasa, enquanto seu irmão, o astronauta aposentado Mark Kelly ficará na Terra, para efeitos de comparação. O ambiente em que Mark viverá, é claro, não é exatamente igual às condições da ISS. Mark se recusou, por exemplo, a passar todo esse tempo ingerindo apenas comida de astronauta aqui na Terra. Por isso, os pesquisadores ainda não sabem quais resultados serão obtidos, mas acreditam que a possibilidade de estudar a genética nessas condições pode levar, inclusive, a avanços científicos que beneficiem uma porcentagem maior da população, além dos astronautas.

Ondas gravitacionais

Ondas gravitacionais

A sonda LISA Pathfinder, da ESA, será lançada durante o ano de 2015 para testar alguns instrumentos necessários para o desenvolvimento futuro de um detector de ondas gravitacionais. Essas ondas, previstas pela Teoria da Relatividade de Einstein, se formam em grandes eventos espaciais, como a união de duas estrelas de nêutrons (um dos possíveis estágios finais da vida de uma estrela), de forma que detectá-las seria uma nova forma de estudar o Universo.

Em busca de asteroides

Em busca de asteroides

Lançada em 2007 pela Nasa, a Missão Dawn tem como objetivo orbitar os asteroides Vesta e Ceres para estudar sua estrutura interna, densidade, forma, tamanho, composição e massa, entre outros aspectos. Esses dados ajudarão os cientistas a entender melhor a história desses objetos e quais meteoritos encontrados na Terra vêm desses corpos. Em agosto de 2011, a Missão Dawn orbitou o primeiro asteroide, Vesta, ficando lá até setembro do ano seguinte. Ela deve chegar ao Ceres em 1 de fevereiro de 2015, onde ficará por cinco meses. A missão acaba oficialmente em julho, mas a sonda continuará na órbita de Ceres depois disso.

Preparação para Marte

Preparação para Marte

Os futuros colonizadores de Marte começarão a ser treinados em 2015. É o que promete a fundação privada Mars One, que planeja enviar o primeiro grupo de pessoas ao planeta vermelho em 2024, em uma expedição só de ida. Apesar de todo o descrédito com que o projeto foi recebido pela comunidade científica, mais de 200 000 voluntários se inscreveram para participar da missão, dos quais 10 289 são brasileiros. A ideia é que a cada dois anos uma nova equipe seja enviada, e que todos participem de um “reality show” que deverá mostrar a vida fora da Terra. O Mars One tem Gerard’t Hooft, holandês ganhador do Prêmio Nobel, como um de seus apoiadores.

Reconexão magnética

Reconexão magnética

Em março de 2015, a Nasa vai lançar a missão Magnetospheric Multiscale (MMS), composta por quatro sondas idênticas, que vão orbitar a Terra para estudar um fenômeno ainda pouco compreendido pelos cientistas, chamado de reconexão magnética. Ele ocorre apenas com o plasma, um conjunto de partículas positiva e negativamente carregadas que compõe a maior parte do Universo observável. A reconexão magnética acontece quando as linhas de campo magnético se cruzam e liberam uma grande quantidade de energia. É um processo fundamental do Universo, que direciona a energia armazenada em campos magnéticos e a converte em calor e energia. O melhor local para observar esse fenômeno é nos arredores da Terra. No lado do planeta iluminado pelo Sol, a reconexão pode unir as linhas de campo magnético do Sol com as da Terra, permitindo que matéria e energia da estrela cheguem ao planeta. Já na face onde é noite, acredita-se que o fenômeno ajuda na formação das auroras boreal e austral.

De olho nos ventos

De olho nos ventos

O satélite ADM-Aeolus, previsto para ser lançado em 2015 pela ESA, vai monitorar os ventos ao redor do globo. Os dados coletados por ele devem melhorar a compreensão sobre os sistemas climático da Terra e os fatores que os influenciam, assim como melhorar os modelos de previsão do tempo.

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