
Além do belo trabalho de fotografia, reconhecido mundialmente, o fotógrafo Sebastião Salgado também se preocupa com a natureza. Assustado com as condições do Rio Doce, em Aimorés, Minas Gerais, sua terra natal, ele criou o projeto Olhos d’Água, que ajuda a recuperar as nascentes da região.

— O Rio Doce é o meu rio. O rio tinha quatro metros de profundidade. Hoje você atravessa o rio com sandália de dedo. O rio morreu, assoreado, sem água — lamenta Sebastião.
Com o projeto Olhos d’água, que funciona na fazenda do fotógrafo, a situação começou a mudar. A terra, que antes estava sem vida, hoje conta com 700 hectares de mata. A ideia de reflorestar o local partiu de Lélia Salgado, esposa do fotógrafo. O casal ganhou as primeiras árvores, fez as mudas na própria fazenda e, com a volta da floresta, a água veio junto.
— Quando passei na estrada, estava tudo molhado, parei o carro e tinha um olho d’água jorrando. Foi um emoção enorme, um milagre — lembra Lélia.
Se deu certo na fazenda, a ideia poderia funcionar em outros propriedades. Foi aí que nasceu o Instituto Terra, uma ONG que recolhe recursos para projetos ambientes, entre eles o Olhos d’Água, que pretende salvar todas as nascentes do Rio Doce. A meta é conseguir o resultado em 30 anos.
— É essa a ideia, do médio, longo prazo que nós temos que trabalhar. As pessoas têm que compreender que temos que trabalhar para o futuro — ressalta Sebastião Salgado.
Para garantir a continuidade do projeto, o Instituto Terra investe também em educação. Jovens técnicos agrícolas fazem um curso de reflorestamento na própria fazenda. O projeto Olhos d’Água fornece para os agricultores da região estacas, arames e mudas de árvores; e, em troca, eles têm que proteger a nascente. Cerca de 1200 nascentes já estão protegidas, mas, é só começo: a intenção é recuperar toda a Bacia do Rio Doce, que conta com mais de 370 mil nascentes.
Fonte: Rede Globo – Como Será?
