Área de preservação ambiental é invadida em Cotriguaçu, norte de Mato Grosso
A Fazenda São Nicolau, área de pesquisa de um projeto de recuperação ambiental de uma fabricante de veículos, chamado “Projeto Poço de Carbono”, foi invadida no dia 9 de fevereiro. A propriedade fica a 40 km do município de Cotriguaçu, no norte de Mato Grosso.
Segundo Cleide Arruda, gestora da estatal francesa Office National des Forêts ONF (Escritório Nacional das Florestas) que coordena as pesquisas da área, a fazenda, que tem 10 mil hectares, é bastante visada porque a rodovia MT 208, que liga Cotriguaçu a Alta Floresta, corta a propriedade. Ela conta que as picadas foram feitas à beira da rodovia, mas que foi a primeira vez que a invasão ocorreu. “Encontramos uma picada em meio à área de manejo florestal do projeto e percebemos que um grupo de pessoas não identificadas realizou a derrubada de uma grande área de floresta”, diz.
A Polícia Militar de Cotriguaçu, que visitou a área após o registro da ocorrência, informou que foram ao todo 12 picadas, abertas a cada 300 metros ao longo da rodovia, o que demonstra que a intenção era demarcar os lotes. Durante a inspeção, não foram encontrados os invasores e não havia sinais de acampamentos.
O professor do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e doutor em Ecologia, Roberto Silveira, participa do projeto de pesquisa analisando alguns dos dados gerados sobre a captação de carbono na área. Ele explica que, quando foi adquirida, em 1998, a propriedade tinha 1,7 mil hectares de pasto degradado e o restante de floresta nativa. O replantio com árvores nativas foi realizado de 1999 até 2004 e, desde então, o projeto vem monitorando três cenários de fixação de carbono: floresta plantada, floresta com manejo (algumas árvores são retiradas para que novas surjam) e floresta em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), sendo que a última não recebe manejo, mantendo-se intocada.
O professor comenta que as pesquisas realizadas ali servem como um piloto, que gera informações para a região sobre como recuperar algum passivo ambiental, recuperando áreas degradadas. Cerca de 12 pessoas são funcionários da propriedade e os produtores que moram em assentamentos ao redor da área podem colher castanhas da floresta nos períodos de entressafra.
De acordo com a PM, se houver uma nova tentativa de grilagem de terras, a polícia somente poderá agir mediante pedido de reintegração de posse da empresa proprietária da fazenda.
