Saiba de que maneira as correntes oceânicas afetam a fauna marinha
Em certos locais dos oceanos, fenômenos causados por correntes de água fria causam uma explosão de fauna marinha de todos os tipos.
Em certos locais dos oceanos, existe um grande número e variedade de animais. Este é um produto das correntes marinhas e de todas as variáveis ecológicas e tróficas que contribuem para os diferentes ecossistemas. Naturalmente, quanto mais alimento for fornecido à corrente de água, mais a fauna marinha vai proliferar.
Mas qual é o fenômeno que produz essa explosão de vida? Como a fauna do mar se relaciona com as correntes oceânicas? Continue lendo e nós vamos te contar.
Os segredos da cinta transportadora do oceano
Nos oceanos, existe um sistema de correntes oceânicas que fazem a água circular por todo o planeta. Esse processo, conhecido como circulação termoalina, é um dos principais motores dos ecossistemas como os conhecemos.
Embora seja um fenômeno relativamente complexo, pode ser explicado como uma enorme esteira transportadora de água movida pelo Sol. O Sol aquece a água perto do Equador, e devido à rotação da Terra e sua inclinação, essa água quente se move indo para oeste e norte, onde há águas mais frias.
É o caso da conhecida Corrente do Golfo, cujas águas quentes proporcionam à Europa o clima relativamente quente e úmido para a latitude em que está localizada.
Essas correntes quentes, quando atingem as águas mais frias das áreas polares, diminuem a velocidade e afundam. Ao afundar, todo esse enorme corpo d’água viaja na direção oposta (aproximadamente) à corrente quente, criando uma circulação contínua de água por todos os oceanos.

As correntes oceânicas determinam a vida nos mares
Esse movimento da água gera uma infinidade de peculiaridades climáticas e ecológicas, visto que a temperatura das águas de uma costa tem um enorme impacto na fauna marinha que nela pode se desenvolver.
Uma vez explicado o fenômeno das correntes oceânicas e o que as produz, podemos entender que nos oceanos existem dois tipos de correntes: frias e profundas ou quentes e superficiais.
Isso nos ajudará a entender o fenômeno que leva à enorme quantidade de peixes, cefalópodes (como o polvo) e mariscos em determinados pontos: ressurgência fria ou upwelling.
Ressurgências ou upwelling: o que são
Na margem esquerda dos continentes, algumas correntes frias correm paralelas à costa e têm uma rajada de vento associada. Essa corrente de vento interage com a água do mar. Como consequência disso, um fenômeno físico faz com que as águas profundas da corrente subam para a superfície perto da costa.
Mas… o que faz com essas ressurgências frias se tornem tão atraentes para a fauna marinha? A seguir, você vai descobrir.
A relação entre a ressurgência e a fauna marinha
A enorme variedade de formas de vida no oceano torna muito difícil explicar de uma forma geral os fenômenos que afetam a vida marinha.
No entanto, todos os organismos que habitam os mares e oceanos do mundo têm algo em comum: quando morrem, seus restos vão para o fundo do mar. Portanto, nessa seção ecológica se acumulam restos biológicos de animais, pequenos e grandes, que podem ser aproveitados.
A ressurgência, ou upwelling, empurram esses nutrientes para áreas mais superficiais. É aqui que o plâncton entra em jogo, esses minúsculos invertebrados que são a base da cadeia alimentar do oceano. Portanto, nessas áreas de ressurgência, o plâncton aproveita os nutrientes, o que aumentará sua população, conforme inúmeros estudos.
Esse aumento populacional, é claro, beneficia o restante da cadeia alimentar. Isso inclui todos os tipos de organismos maiores, como peixes ou artrópodes, como caranguejos, caranguejos-aranha ou lagostas.
Portanto, as ressurgências fazem com que os nutrientes que permaneceram no fundo do mar recirculem, criando áreas onde a fauna marinha é extremamente abundante e diversa.
A razão de ser de muitos pesqueiros
Naturalmente, esse fenômeno é o que torna certas áreas dos mares e oceanos extremamente ricas em peixes. Assim, as costas do Chile e do Peru são um lugar privilegiado para a pesca, já que existem enormes cardumes de peixes cuja existência depende dessas águas frias. O mesmo acontece no Atlântico Norte, por exemplo, nas costas da Galiza (Espanha), que se destacam pela qualidade e quantidade dos seus mariscos.

Correntes e mudanças climáticas
Em suma, podemos observar como as correntes marinhas influenciam de forma decisiva a fauna aquática que podemos encontrar. Essas correntes também têm um grande efeito no nosso clima e ecossistemas.
Como se sabe, o degelo dos polos provocado pelo aquecimento global pode fazer com que a Corrente do Golfo seja interrompida, provocando consequências desastrosas para o clima. É trabalho de todos evitar que a Terra continue aquecendo e que ocorra o colapso total dos ecossistemas.
