Tecnologia acelera seleção de animais jovens para melhorar qualidade do gado
Por conta do êxito do programa de genotipagem, implantado há dois anos, e que já avaliou quase 90 mil animais, a grande maioria da raça nelore, a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) lançou no mês passado um projeto que vai facilitar aos criadores brasileiros ter acesso à moderna tecnologia que permite acelerar o processo de aprimoramento da qualidade do gado, com maior segurança na decisão e incremento na produtividade.
A avaliação genômica é considerada fundamental para o avanço da pecuária no Brasil, pois tem maior grau de acurácia e acelera o processo de avaliação de touros jovens, entre outros fatores positivos, o que reduz os custos, explica Luiz Antonio Josahkian, superintendente técnico da ABCZ.
A entidade fez parcerias com empresas de genotipagem e criou o programa batizado de 2 por 1, que garante subsídios aos criadores. A cada dois animais escolhidos pelo criador para a genotipagem, a ABCZ custeará o trabalho de um animal, explica Josahkian.

A expectativa é que pelo menos 400 mil sejam genotipados nos próximos três anos, diz Josahkian. Se atingida, a marca consolidará o Brasil como líder mundial na genética do gado zebu, originário da Índia.
O processo de avaliação genômica do zebu nacional é fruto de uma parceria da ABCZ com a Embrapa Gado de Corte, unidade sediada em Campo Grande (MS). As duas instituições se uniram para a obtenção de estimativas únicas de valor genético genômico das raças zebuínas no Brasil, o que está dando importante contribuição para a qualidade da carne e para a eficiência alimentar dos animais em sistemas de produção mais sustentáveis, segundo a Embrapa.
“A partir daí (da base de dados) é possível calcular de forma mais precisa os valores genéticos de bovinos de corte criados em condições específicas em diferentes sistemas de produção”, diz ele.

Precocidade
A tecnologia da genotipagem permite ao produtor ganhar tempo, já que o resultado da avaliação é possível quando o animal tem menos idade. O criador pode conhecer a capacidade reprodutiva do macho aos dois anos. No sistema tradicional, é necessário esperar até seis ou sete anos, e obter os resultados por meio das progênies ou do desempenho do reprodutor, observa Josahkian.
Claudio Sabino Carvalho Filho, responsável por uma das mais tradicionais marcas do gado nelore do país, a Naviraí, faz uso da genotipagem, aprova e acredita que a tecnologia vai crescer rapidamente no Brasil. A Chácara Naviraí tem unidades de criação de bovinos em Uberaba (MG) e Naviraí (MS), com mais de 2 mil matrizes na reprodução.

Vantagens da genotipagem
Uso da tecnologia propicia ganhos econômicos e genéticos
1 – Permite a seleção de animais ainda jovens. É como se eles já tivessem filhos com dois anos de idade. Pelo sistema tradicional, seria preciso esperar até os seis anos para ter uma avaliação confiável.
2 – Um touro genotipado pelo sistema da Embrapa Gado de Corte tem 37% menos chance de erro quanto à possibilidade dele ser um melhorador.
3 – O sistema aumenta o grau de confiança do criador nos valores genéticos preditos, isto é, anunciados antecipadamente.
4 – O genoma é como a digital de cada bovino e, por meio dele, é possível conhecer suas características, o que dá condições de identificar aqueles que têm o maior potencial para produção, além de descobrir outras qualidades importantes, como a reprodutiva.
5 – A genotipagem permite verificar não só as características que o bezerro herdou do pai e da mãe, mas também das gerações
anteriores, os avós.
