
O excesso de proximidade entre tutores e animais, gerado pela quarentena de combate ao coronavírus, pode levar os cães e gatos a criar uma dependência emocional do tutor. Essa dependência, por sua vez, pode desencadear ansiedade extrema ao final do período de isolamento social.
O alerta é feito pelo psicólogo animal, Roger Mugford, em entrevista ao jornal britânico The Times. Mugford é conhecido por cuidar dos cachorros tutelados pela Rainha Elizabeth II.
“Com sobrecarga de tempo com suas famílias, os cães estão criando um grande excesso de dependência e podem sofrer bastante quando ‘mães e pais’ voltarem ao trabalho e as crianças para escola. A separação pode gerar ansiedade extrema nos milhares de cachorros que estão se acostumando com [a nova rotina dos] seus tutores”, explicou Mugford.
Caso desenvolvam ansiedade, os cães podem apresentar comportamentos reprovados pelos tutores, conforme explicou a Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade Contra Animais. Dentre esses comportamentos, estão defecar e urinar em local diferente do habitual, uivar, mastigar e tentar fugir de casa. Ao entrar em pânico, os filhotes podem até mesmo defecar e consumir as próprias fezes, praticando um fenômeno denominado coprofagia.
Além de causar sofrimento psicológico ao animal, a ansiedade de separação pode levá-lo a cavar e roer portas ou janelas, o que pode causar lesões, como dentes quebrados e patas dianteiras cortadas ou raspadas, além de unhas danificadas (a depender do nível do dano, pode gerar ferimento nas unhas, com sangramento).
Para preservar os animais dessa doença de ordem psicológica, evitar estar ao lado do animal durante o dia inteiro, no período da quarentena, sem ficar abraçando-o e beijando-o com extrema frequência, pode ajudar. O ideal é permitir que ele se distraia com brinquedos e, caso haja, com a companhia de outros animais, ao invés de estar 24 horas grudado no tutor.
No entanto, caso mudanças comportamentais sejam notadas no animal quando a rotina da família voltar à normalidade, o recomendado é procurar um médico veterinário para que o cachorro ou gato seja submetido a tratamento.
