Cúpula do Clima inicia fase política com pedidos urgentes para conter o aquecimento global

A conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre mudança climática, realizada em Lima, no Peru, entrou na fase política nesta terça-feira (9) com pedidos de providências “urgentes” para a contenção do aquecimento global e o estabelecimento de um acordo climático universal.

Na inauguração do chamado segmento de alto nível da Cúpula do Clima, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que ainda há uma oportunidade de limitar o aumento da temperatura do planeta a dois graus, mas destacou que as janelas desta oportunidade estão se estreitando, portanto, é necessário que providências sejam tomadas “agora”.

A cúpula de Lima, que se encerrará no dia 12 de dezembro, deve elaborar em comum acordo um documento base sobre a redução da emissão de gases do efeito estufa, que deverá ser aprovado em 2015 em Paris. Este documento substituirá o Protocolo de Kioto a partir de 2020.

É preciso que ao fim da reunião haja um projeto de minuta “equilibrado, bem estruturado e coerente”, para permitir que um acordo seja feito em Paris em 2015, afirmou Ban Ki-moon.

Ban Ki-moon solicitou que os países participantes da Cúpula do Clima em Lima “escrevam uma nova história para o planeta” e avancem para um acordo climático universal “significativo”.

O secretário-geral da ONU deu destaque ao anúncio de compromissos de redução da emissão de gases do efeito estufa feito pelos Estados Unidos, China, União Europeia e Alemanha, e também às contribuições do Fundo Verde, que estão perto de US$ 10 bilhões.

No entanto, Ban Ki-moon pediu aos representantes dos 195 países reunidos na COP20 que definam a via para que o Fundo Verde, que tem como objetivo dar assistência aos países em desenvolvimento, mais pobres e vulneráveis para enfrentar e desacelerar os efeitos das mudanças climáticas, consiga arrecadar US$ 100 bilhões até 2020. E ainda acrescentou que o apoio aos países menos desenvolvidos e aos mais vulneráveis deve ser priorizado. O secretário-geral solicitou que as nações que não o fizeram ratifiquem a emenda de Doha para o protocolo de Kioto.

Ban Ki-moon convocou as nações a impulsionar “metas de desenvolvimento econômico baixo em carbono”.

O presidente da COP20, o ministro peruano do Ambiente, Manuel Pulgar Vidal, pediu para que na reta final da cúpula os países aumentem “sua vontade de alcançar os resultados que o mundo espera”.

Nesta mesma linha, a secretária executiva da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, Cristiana Figueres, disse que “nunca houve tanta urgência para esta transformação” e pediu decisões ambiciosas, que permitam “plantar as sementes de um novo acordo global de alta qualidade, baseado em uma parceria sem precedentes”.

“A história nos julgará não só pelas toneladas de gases que seremos capazes de reduzir, mas também por construirmos um futuro com prosperidade para todos. Os senhores precisam criar este futuro”, acrescentou.

A cerimônia de abertura contou com a presença dos presidentes da Bolívia, Evo Morales, de Nauru, Baron Waqa, do vice-presidente da Tanzânia, Mohamed Gharib Bilal, e da chefe do Conselho de Ministros do Peru, Ana Jara, entre outras autoridades.

Em seu discurso no plenário, Evo Morales pediu nessa terça para que os países reunidos na COP20 adotem um acordo “baseado na proteção da vida e da mãe terra, e não no mercado, na ganância e no capitalismo”.

O presidente boliviano afirmou que alguns países desenvolvidos não querem aumentar suas metas na redução de emissões de gases do efeito estufa ou implementar compromissos em temas de adaptação e fornecimento de financiamento.

Com o início do segmento de alto nível, no qual participam ministros, chefes de Estado e outros dignitários, espera-se que as negociações sejam impulsionadas a fim de se conseguir um acordo em Paris, mas por enquanto elas caminham com lentidão e apresentam alguns impeditivos.

Nesta quarta-feira (10) participam da Cúpula do Clima os presidentes da Aliança do Pacífico, composto pelo Peru, Colômbia, Chile e México.

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