Aurora boreal: Saiba quais são as 8 curiosidades sobre o fenômeno

Nem sempre é necessário o uso de holofotes ou tecnologias pirotécnicas para que lindas cores surjam no céu. A natureza cria espetáculos por conta própria com as auroras boreais, que acontecem no extremo norte da Terra, em regiões como Sibéria, Escandinávia, Groenlândia e Canadá.

Mas, o que é a aurora boreal? O fenômeno acontece durante tempestades solares, quando um gás chamado plasma, que é eletrizado por partículas de elétrons e prótons, parte do Sol. O plasma entra em contato com a atmosfera e com o campo magnético da Terra, que funciona como um escudo contra essas partículas vindas da nossa Estrela-Mãe.

“Quando o Sol está com maior atividade, principalmente na corona, que é sua camada mais externa, ele libera uma quantidade enorme de elétrons”, conta à GALILEU Augusto José Filho, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosférica (IAG), da Universidade de São Paulo (USP).

Assim, então, começa o espetáculo. Entenda melhor sobre essa e outras curiosidades das auroras boreais:

1. Aquarela de íons
Os íons são átomos que ganharam ou perderam prótons ou elétrons e são eles que estão por trás das diferentes cores da aurora boreal. As partículas seguem as linhas do campo magnético da Terra e, ao entrarem na nossa atmosfera, se misturam com gases. “Os elétrons energizados batem com as moléculas de oxigênio e nitrogênio e emitem luzes de cor azul, vermelha e verde, originando esse fenômeno muito bonito”, explica Filho.

2. Austral x Boreal

Aurora austral vista a partir da Estação Polo Sul Amundsen-Scott na Antártica (Foto: Wikipedia Commons)

As auroras que acontecem no Hemisfério Sul da Terra são chamadas de austrais. Elas se dão em lugares como Antártida, Tasmânia e Nova Zelândia, e por muito tempo cientistas acreditaram que ocorriam simultaneamente, como uma espécie de “espelho” das auroras boreais.

No entanto, um estudo conduzido pela Nasa em 2009 mostrou que isso não é verdade. Os cientistas observaram que as duas auroras se movimentam em direções opostas: a austral se move em direção ao Sol, enquanto a boreal vai no sentido contrário.

A explicação, segundo os pesquisadores da agência espacial, é que o vento solar foi capaz de penetrar no escudo magnético no Hemisfério Sul e não no do Norte. Portanto, o fenômeno não atinge os dois polos ao mesmo tempo.

Outra diferença, de acordo com Augusto José Filho, é que a aurora austral é bem mais difícil de ser vista. “Ela ocorre mais na Antártida. Você precisa estar bem perto de lá e numa região do oceano bem fria para observa”, conta.

3. Sinal de perigo?
A aurora boreal é um fenômeno luminoso, mas o que a impulsiona é o vento solar (a emissão de partículas vindas do Sol). Sempre que há vento solar, há uma aurora. Acontece que esse vento tem potencial para causar uma série de problemas aqui na Terra, como aconteceu em 1859, no chamado “Evento de Carrington”.

Na ocasião, uma enorme explosão solar acabou interferindo no funcionamento de telégrafos na Europa e na América do Norte, e operadores relataram até terem levado choques.

Isso não quer dizer, é claro, que as auroras podem causar diretamente esse tumulto todo, mas elas são sintomas de que tempestades solares estão acontecendo. “Significa que sistemas de comunicação podem falhar por razão dessa alta energia que vem do Sol, prejudicando as telecomunicações e sistemas de GPS, por exemplo”, afirma o especialista do IAG.

As tempestades solares podem afetar ainda satélites e submarinos nucleares, que se comunicam por meio de rádio de ondas ultralongas.

4. Que som é esse?
Em 2012, pesquisadores da Universidade Aalto, na Finlândia, fizeram um estudo no qual viram que as auroras boreais podem “emitir” sons. As luzes por si só não tocam música, mas as partículas energizadas que vêm do Sol causam uma interferência audível ao entrarem em contato com o campo magnético da Terra.

Os especialistas colocaram três microfones em uma região onde auroras boreais ocorrem. Um deles captou um ruído parecido com um “bater de palmas”. Os sons, segundo os cientistas, são breves e suaves, e podem ser ouvidos apenas por pessoas bem atentas.

5. Partículas solares da aurora boreal se movimentam a 11,2 mil km/h
O Sol é uma verdadeira bomba que constantemente produz energia termonuclear, e suas linhas magnéticas concentram e lançam energia pelo espaço. Com isso, a velocidade com que as partículas que formam a aurora boreal viajam é de mais de 11,2 mil km/h.

Nesse ritmo, o vento solar demora de um até cinco dias para alcançar a Terra. Para se ter uma ideia, na velocidade da luz (300 mil km/s) as partículas chegariam ao nosso planeta apenas oito minutos.

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