Quantos animais morrem por dia na floresta Amazônica?
Há muitas estimativas sobre quantas árvores morrem, ou quantos hectares de verde se perde por mês na Amazônia. Mas nenhum governo ou ONG faz levantamentos sobre a quantidade de animais da floresta que perdem seus habitats, ou que morrem queimados ou esmagados por tratores no meio desse desmatamento
Liege Albuquerque*

Também recebi uma foto terrível de um jacaré maior que esse com a cabeça cortada, muito triste, que prefiro nem divulgar aqui. Assim como há pessoas monstruosas que lincham outras por causa de um boato, há outros monstros que matam um animal porque consideram que ele é perigoso, mesmo que o bicho nada tenha feito e esteja perdido no meio de um igarapé fétido sem entender como foi parar ali em meio a tanto lixo.
Manaus é uma cidade no meio da floresta e os animais que viviam por aqui (e ainda vivem) obviamente ficam muito confusos quando encontram no meio do caminho um pedaço de asfalto onde antes era terra e mata. Vivem acuados e assustados. No ano passado, na ampliação da Avenida das Torres, em Manaus, o massacre de macacos e preguiças foi grande.
Mesmo sendo poucos os animais resgatados com vida, há para eles bem pouco espaço para se abrigar. Alguns sobrevivem com alguma sequela e muitos não têm mais condições de voltar à floresta e precisam passar o resto da vida em cativeiro. Muitos a resgatar e pouca ou quase nenhuma estrutura ou investimento nesses resgates.
Só ano passado, O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) acolheram 789 animais silvestres. Na média, dá dois animais resgatados por dia. Destes, 42% foram devolvidos à natureza, 12% destinados aos criadores comerciais, 11% a mantenedores de fauna, 8% permanecem no Ibama e 28% tiveram outro destino (como zoológicos em outros Estado).
São jacarés, tartarugas, bichos-preguiça, araras, periquitos, papagaios, cobras, macacos e iguanas. Todos donos legítimos dessa floresta, seus primeiros habitantes, seus habitantes puros, que nada destroem de seu lar e são cruelmente expulsos dele. Meu desejo é que as pessoas aqui na minha cidade querida (e que maltrata seu meio ambiente) tenham mais compaixão com os animais (selvagens e domésticos), com as árvores e com o verde. Como eu sempre digo, a floresta e seus animais são o melhor de Manaus. E infelizmente estão sempre no fim (ou nem estão) na lista de prioridades nas ações de preservação dos governos locais.
*Liege Albuquerque é jornalista e mestre em Ciências Políticas
Fonte: Planeta Sustentável
