Parque Nacional Nairobi, na África, corre risco de desaparecer

Por José Eduardo Mendonça, do blog Planeta Urgente – Planeta Sustentável
Paula Kahumbu está muito preocupada com a matança de elefantes no continente africano. “Sabemos que o Quênia é a principal saída do marfim contrabandeado para a Ásia”, afirma ela. “Isto nos diz que o crime organizado criou raízes neste país. E está corrompendo toda a cadeia, desde as áreas de vida natural até nossos portos”.
Nos últimos três anos, mais de 100 mil elefantes foram mortos na África por seu marfim. A África do Sul, que tem 80% dos rinocerontes do continente, está perdendo três deles por dia com a ação de caçadores ilegais. Em todo lugar, os números de leões e leopardos sofrem rápido declínio e mesmo espécies menos ameaçadas, como girafas e zebras, estão sendo caçadas para o comércio de peles e carne.
Agora, outra ameaça paira sobre os animais e um de seus habitats, um perfeito cartão postal da savana do Quênia, de onde se vê prédios brotando ao fundo. Cercado por uma das cidades de crescimento mais rápido na África, o Parque Nacional Nairobi, o mais antigo do leste africano, se encontra ameaçado.“Há uma enorme pressão sobre o parque”, diz a líder ambiental Kahumbu, que chefia a campanha do grupo Wildlife Direct.
Criado pelos invasores britânicos nos anos 1940, a área é cobiçada pelo setor de transportes, com suas estradas e linhas férreas, além de fábricas e moradias. O parque, de 117 quilômetros quadrados, fica a apenas 7 km de Nairobi. E como outras nações africanas, o Quênia tem de manter um difícil equilíbrio entre conservação e desenvolvimento.
Ao sul, a reserva enfrenta um grande expansão urbana, pressionando um corredor dos animais em busca de pasto. Novas obras de infraestrutura são também uma ameaça.
“Quanto mais reduzimos o parque, mais mais encolhe o território dos animais,” disse Ali Tanvir, presidente do grupo Friends of Nairobi Naational Park. Os defensores do desenvolvimento dizem que os projetos são cruciais para descongestionar a capital, de quatro milhões de habitantes, mas uma estrada e uma linha de trens passariam pelo meio da reserva. Nairobi se orgulha de ter as sedes regionais de empresas multinacionais e de ser a força motriz da economia do leste da África, diz o News24.
Fonte: National Geographic Brasil
