Fruto do coqueiro-da-bahia tem substância promissora contra vírus do herpes
Substância extraída do coco-da-bahia, palmeira abundante no Brasil, impede multiplicação do Herpes Simplex Vírus Tipo 1
Nos frutos do coqueiro-da-bahia, uma palmeira muito comum no litoral do Norte e Nordeste do Brasil, está uma opção promissora para combater o Herpes Simplex Vírus Tipo 1 (HSV-1), causador de infecções e lesões pelo corpo. Por meio de testes em laboratório, pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP descobriram que uma substância extraída das fibras do fruto impede a multiplicação do vírus, com eficiência similar à do medicamento antiviral aciclovir, usado contra infecções causadas pelo HSV-1. A descoberta poderá auxiliar no desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento de doenças provocadas pelo vírus.
O vírus HSV-1 é uma causa comum de lesões orais e genitais, e possui a capacidade de reativação da infecção latente. “Ele é responsável por um amplo espectro de doenças, incluindo infecções primárias ou recorrentes das mucosas, como, por exemplo, gengivo-estomatite, herpes labial ou genital, ceratoconjuntivite, infecção neonatal, infecção visceral em hospedeiros imunodeprimidos, encefalite herpética e associação com eritema multiforme”, conta o médico Fernando Borges Honorato, que realizou a pesquisa.
A Cocos nucifera L. é uma espécie de palmeira conhecida como coco, coco-da-bahia, coqueiro-da-bahia ou coqueiro-comum, sendo muito comum no Brasil, especialmente no litoral do Norte e Nordeste. “Após a secagem e moagem da parte fibrosa do fruto, o mesocarpo, foram preparados dois extratos, o aquoso, tendo como solvente a água, e o hidroetanólico, cujos solventes são etanol e água”, descreve o médico. “Posteriormente, foram preparadas frações destes extratos, nos quais foram usados como solventes hexano, acetato de etila, metanol e água”.
Efeito antiviral
Inicialmente, foram determinadas as concentrações dos extratos que não eram tóxicas para as células, que foram selecionadas para testar o efeito inibitório da droga sobre a infecção pelo HSV, avaliado pela redução do efeito citopático. “As células foram infectadas com HSV em diversas multiplicidades de infecção (MOI)”, relata Borges Honorato. “Algumas delas foram tratadas com diferentes doses dos extratos, enquanto outras não foram tratadas (controle negativo). Ao final do experimento, foi realizada a quantificação da quantidade de vírus presentes em cada amostra.”
Nos testes em laboratório, uma substância isolada das fibras do fruto da palmeira, chamada inicialmente de CN342B, foi capaz de inibir a replicação do HSV-1, com efeito antiviral comparável ao do aciclovir, enquanto que os extratos brutos, as quatro frações e uma outra substância, CN1A, não foram efetivas. “A substância CN342B isolada das fibras do fruto foi eficaz contra o HSV-1 in vitro’, destaca o médico. “Entretanto, por razões técnicas, ainda não foi possível determinar qual é a substância que foi isolada.”
Segundo Borges Honorato, os resultados do estudo apontam que a CN342B é promissora para o desenvolvimento de um novo medicamento para o tratamento das doenças causadas pelo HSV. “Os próximos passos seriam a identificação da substância e o início de estudos pré-clínicos em modelos animais”, ressalta.
