Arquitetos transformam amianto em material de construção com carbono negativo
Ao lado de cientistas holandeses, os australianos Peter Besley e Jessica Spresser aquecem o material para criar cimento, esmalte e azulejos
Historicamente, o amianto é reconhecido como um material tóxico, prejudicial à saúde de quem inala suas fibras durante a mineração ou o processamento. No entanto, para os arquitetos Peter Besley e Jessica Spresser, do escritório australiano Besley & Spresser, aquilo que antes representava perigo pode se tornar uma alternativa sustentável. A proposta do duo é submeter o amianto a um processo científico que elimina sua toxicidade e gera um material carbono negativo, capaz de ser utilizado na construção civil, como no cimento.
O projeto, intitulado de Redux, foi apresentado na Trienal de Lisboa 2025, que aconteceu em Portugal entre 2 de outubro e 8 de dezembro. Foi lá que Peter trouxe o questionamento: “E se um dos materiais mais perigosos da indústria da construção pudesse se tornar um dos mais promissores?”. O desenvolvimento foi realizado em parceria com cientistas holandeses das empresas Asbeter, de Roterdã, e da Benedetta Pompilli Studio, de Amsterdã.
O processo, com certificação da União Europeia, leva o amianto a altas temperaturas em um ambiente controlado, o que transforma a suas formas fibrosas em minerais de silicato estáveis. “Esses produtos finais podem então ser usados como substitutos do cimento ou como aditivos minerais em outros materiais. O processo também absorve dióxido de carbono, tornando-se carbono negativo”, explicaram os arquitetos ao portal designboom.
“O que mais nos surpreendeu foi a qualidade estética dos resultados, particularmente dos esmaltes produzidos a partir do mineral renovado. Eles criam cores imprevisíveis, às vezes vibrantes, que variam conforme a composição do amianto original”, contaram.
Em Lisboa, os arquitetos apresentaram a instalação no Palácio Sinel de Cordes, onde os visitantes foram convidados a tocar materiais que antes estavam associados à toxicidade.
“Aterros que cobrem amianto nas periferias das cidades correm o risco de contaminação ambiental contínua, enquanto o envelhecimento do estoque habitacional com amianto segue representando riscos à saúde globalmente”, argumentaram os arquitetos.
Para eles, a transformação do material de forma segura e em larga escala é uma oportunidade para transformar o tabu na recuperação de áreas urbanas e em construções sustentáveis.
