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Animais digerem ‘plástico biodegradável’ da natureza há milhões de anos, aponta estudo

Animais digerem ‘plástico biodegradável’ da natureza há milhões de anos, aponta estudo

Estudo do Instituto Max Planck revela que diversas espécies de animais, e não apenas microrganismos, possuem enzimas capazes de degradar bioplásticos naturais.

Uma nova pesquisa liderada pelo Instituto Max Planck de Microbiologia Marinha, na Alemanha, desafiou uma antiga premissa científica ao revelar que uma ampla variedade de animais já possui a capacidade de digerir plásticos biodegradáveis naturais.

Produzidos por bactérias e arqueas como reservas de carbono e energia, esses compostos, conhecidos como polihidroxialcanoatos (PHAs), são a base dos bioplásticos modernos. Até a publicação deste estudo na revista Nature Ecology & Evolution, a ciência presumia que apenas os próprios microrganismos possuíam as ferramentas biológicas para quebrar essas moléculas.

A investigação teve início com a análise de um organismo bastante peculiar: o Olavius algarvensis, um pequeno verme marinho que não possui boca nem sistema digestivo. Para sobreviver, ele depende de bactérias simbióticas que habitam sob sua pele.

Os pesquisadores notaram que essas bactérias armazenam enormes quantidades de carbono na forma de PHA. Ao investigar como o verme se nutria, a equipe identificou uma enzima que permite ao animal quebrar esse bioplástico microbiano em moléculas menores, utilizando-o como uma rica fonte de energia.

O que inicialmente parecia ser uma adaptação evolutiva exclusiva desse verme marinho revelou-se uma característica amplamente distribuída na natureza. Ao mapearem os genomas de outros animais, os cientistas encontraram enzimas relacionadas à degradação de PHA em mais de 66 espécies pertencentes a nove filos diferentes. Testes práticos de laboratório confirmaram que enzimas de animais com parentesco muito distante — incluindo esponjas do mar, estrelas-do-mar e minhocas terrestres — também são perfeitamente capazes de digerir os PHAs.

Com a crescente demanda da indústria por alternativas ecológicas aos plásticos convencionais, os PHAs têm ganhado destaque devido à sua alta circularidade biológica. A descoberta de que animais aquáticos e terrestres vêm se alimentando dessas reservas microbianas de forma silenciosa há centenas de milhões de anos revela uma via alimentar e de reciclagem natural até então totalmente ignorada pela ciência.