Agrivoltaica pode aumentar ou reduzir produtividade das lavouras e lucros
Agrivoltaica
O consorciamento entre fazendas solares e fazendas agrícolas compõe um conceito emergente conhecido como agrivoltaico, ou agrifotovoltaico, na qual os painéis solares podem apresentar uma sinergia com as culturas agrícolas.
Mas os benefícios não são tão diretos quanto se imaginou a princípio. De fato, Mengqi Jia e colegas da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, nos EUA, mostraram que nem todas as fazendas poderão auferir os benefícios esperados, com a integração podendo aumentar ou reduzir os rendimentos e os lucros.
Os ganhos com a agrivoltaica dependem da cultura com a qual é feito o consorciamento e de onde os sistemas são implantados, ou, mais especificamente, do clima da região onde o projeto agrifotovoltaico é implantado.
A equipe integrou um modelo econômico para estimar os lucros líquidos anuais por hectare da produção agrícola e da geração de energia para a agricultura convencional, sistemas autônomos de energia solar e sistemas agrivoltaicos. Neste último caso, os painéis solares cobriram 33% de cada local.
Os pesquisadores realizaram simulações de 15 anos envolvendo diferentes condições climáticas e sistemas agrivoltaicos, variando de regiões úmidas a regiões semi-áridas.
[Imagem: Jia et al. – 10.1029/2025ms005092]
Pode dar lucro ou pode dar prejuízo
As análises mostraram que a aridez – ou a umidade média – é um fator determinante para a produtividade agrícola e a viabilidade econômica dos sistemas agrivoltaicos.
“Na [região úmida], o sombreamento solar reduziu a fotossíntese, diminuindo a produtividade do milho em 24% e a da soja em 16%, reduzindo os lucros dos agricultores,” contou a pesquisadora. “Em contraste, no semiárido o sombreamento aliviou o estresse hídrico, moderando as perdas na produção de milho e aumentando a produção de soja em 6%.”
De modo mais geral, a viabilidade econômica de projetos de energia agrivoltaica depende dos padrões climáticos gerais, do microclima da região de instalação, e de diversos fatores de mercado, incluindo os preços das commodities agrícolas e os preços de arrendamento das terras.
“Nossa pesquisa aprofundada fornece uma base científica para apoiar o planejamento do uso da terra e oferecer aos formuladores de políticas, gestores de terras e investidores orientações práticas para expandir a agrivoltaica de maneiras localmente apropriadas e ambientalmente resilientes,” disse o professor Kaiyu Guan. “Embora a energia agrivoltaica possa trazer benefícios para os produtores de soja, especialmente em regiões semiáridas, os altos custos de instalação para aumentar a altura dos painéis solares limitam sua competitividade econômica em relação à energia solar autônoma para desenvolvedores na maior parte [das regiões úmidas].”
Artigo: Climate-driven divergence in biophysical and economic impacts of agrivoltaics
Autores: Mengqi Jia, Bin Peng, Kaiyu Guan, David M. Lawrence, Evan H. DeLucia, Alan K. Knapp, Greg A. Barron-Gafford, Madhu Khanna, Danica L. Lombardozzi, Matthew A. Sturchio, Steven A. Kannenberg, Lei Zhao, James McCall, Jinyun Tang, Carl J. Bernacchi, Paul Mwebaze, Fahd Majeed, DoKyoung Lee, Alson Time
Revista: Proceedings of the National Academy of Sciences
Vol.: 123 (10) e2514380123
DOI: 10.1073/pnas.2514380123
Artigo: Assessing the Impact of Agrivoltaics on Water, Energy, and Carbon Cycles Using the Community Land Model Version 5
Autores: Mengqi Jia, Bin Peng, Kaiyu Guan, David M. Lawrence, Evan H. DeLucia, Danica L. Lombardozzi, Matthew A. Sturchio, Steven A. Kannenberg, Alan K. Knapp, Xuzhi Du, Alson Time, Carl J. Bernacchi, DoKyoung Lee, Nenad Miljkovic, Bruce Branham, Madhu Khanna
Revista: Journal of Advances in Modeling Earth Systems
Vol.: 18, Issue 2
DOI: 10.1029/2025ms005092
