Pesca e Aquicultura na Paraíba: A Força da Tradição Diante dos Desafios do Desenvolvimento
Na época da Segunda Guerra Mundial, entre 1942 e 1945, uma classe trabalhadora foi formalmente convocada pela Marinha do Brasil para atuar no sistema de Defesa Passiva e Vigilância do Litoral. Com olhos e ouvidos atentos à nossa costa, esses homens observavam as movimentações suspeitas de possíveis inimigos e prestavam socorro às vítimas de naufrágios, integrando de forma heroica o esforço de guerra nacional. Essa classe foi a dos Pescadores, cujas colônias se transformaram em verdadeiros postos avançados de observação ao longo do nosso litoral.
Hoje, contudo, o cenário é outro. O que percebemos na atualidade são intensas pressões territoriais e tecnológicas sobre as áreas tradicionais de pesca. O avanço da infraestrutura que engloba a exploração de petróleo e gás, a implantação de usinas eólicas offshore, o lançamento de cabos submarinos e a expansão portuária concorre diretamente pelo espaço que historicamente pertenceu às comunidades pesqueiras.
Somado a isso, o setor enfrenta o grave avanço da poluição industrial, comercial e urbana. Os impactos atingem as comunidades ribeirinhas, praias, rios, lagos e açudes, agravados pela intensa circulação de turistas e, muitas vezes, por falhas no saneamento e descarte inadequado de efluentes em estações de tratamento. Na atualidade, debate-se amplamente a preservação ambiental, a proteção de espécies marinhas ou terrestres, a salvaguarda de naufrágios históricos e o restauro de recifes de corais. Contudo, os seres humanos muitas vezes parecem ficar em segundo plano.
Precisamos lembrar que a ecologia humana é parte indissociável do meio ambiente. O que seria da natureza sem o homem para manejá-la com respeito e sabedoria ancestral? É urgente chamar a atenção dos governos em todas as esferas, assim como de toda a sociedade, para a importância fundamental da nossa existência e permanência nesses territórios.
Diante disso, reforço o apelo pelo reconhecimento da atividade pesqueira e da aquicultura em todas as suas vertentes. Falamos de uma cadeia produtiva complexa e vital, responsável por colocar na mesa dos brasileiros um dos alimentos mais saudáveis e ricos em nutrientes essenciais. Hoje, a pesca na Paraíba subdivide-se em categorias que precisam coexistir de forma harmônica e protegida:
● Pesca Artesanal Marinha e Estuarina: Praticada por milhares de famílias ao longo da costa e em complexos estuarinos, como na foz do Rio Paraíba, é a base econômica de comunidades tradicionais na catação do caranguejo, na extração de mariscos, na captura de peixes costeiros e na valorizada temporada de pesca da lagosta.
● Pesca de Águas Interiores: Uma força gigantesca no nosso estado, onde milhares de pescadores artesanais atuam de forma continental em rios, açudes e grandes reservatórios no interior paraibano, garantindo a subsistência do ecossistema do semiárido.
● Pesca Industrial e de Grande Porte: Focada na captura de espécies de alto valor comercial e oceânicas, como o atum e afins, movimentando a economia de portos fundamentais e gerando emprego e renda em larga escala.
● Aquicultura e Cultivo Tecnológico: Setor em franca expansão nacional e estadual, que hoje engloba a expressiva produção de peixes de cultivo (piscicultura de tilápias e espécies nativas) e o cultivo de camarão (carcinicultura), além de projetos voltados para a malacocultura (criação de ostras e mexilhões) e algicultura.
Não somos contra o desenvolvimento ou a inovação tecnológica. No entanto, o setor de pesca e seus trabalhadores não podem continuar pagando a conta do progresso isolado. É imperativo que haja uma participação maior e deliberativa desta classe nas discussões de implementação de novas tecnologias e grandes empreendimentos costeiros.
A Paraíba possui um litoral fascinante de aproximadamente 133 a 138 quilômetros de extensão rica e produtiva. Ao norte, estende-se por cerca de 60 km a partir de Mataraca, passando por Baía da Traição, Rio Tinto e Lucena. Ao sul, engloba a infraestrutura estratégica de Cabedelo, os cerca de 24 km de praias da capital João Pessoa e as falésias imponentes do Conde, alcançando Pitimbu. Apesar de todo esse potencial geográfico e ecológico, o setor ainda carece de políticas públicas contínuas, de créditos desburocratizados e de infraestruturas modernas de beneficiamento e comercialização do pescado.
Reitero meu chamado a todos os gestores públicos e cidadãos: olhem pela classe dos pescadores e aquicultores. Precisamos de condições dignas para que eles continuem desenvolvendo suas atividades com consciência, segurança e proteção ao ecossistema em que trabalham. Só assim garantiremos alimentos com a máxima qualidade na mesa de nossa população.
Que o Senhor JESUS nos conceda, a cada novo dia, inteligência, sabedoria e discernimento para trabalharmos com mais consciência ambiental e verdadeiro amor ao próximo.
JESUS TE AMA E EU TAMBÉM.
Luiz Carlos de Albuquerque Silva Gerência de Pesca e Aquicultura de Cabedelo
