Anchor Deezer Spotify

Do chip à mina: novos usos do ouro aumentam pressão por uma produção mais responsável

Do chip à mina: novos usos do ouro aumentam pressão por uma produção mais responsável

No Dia Internacional do Ouro, o avanço da demanda por semicondutores e IA coincide com um novo paradigma produtivo; o caso da Aura exemplifica o uso de água de reúso e a criação de vocações econômicas pós-mineração.

Celebrado no dia 7 de setembro, o Dia Internacional do Ouro coincide com um momento em que o metal amplia seu papel para além da joalheria e das reservas financeiras. Presente em componentes eletrônicos, semicondutores e equipamentos de alta performance, o ouro ganha relevância em cadeias ligadas à expansão da infraestrutura de Inteligência Artificial (IA) e da economia digital.

De acordo com o relatório de demanda do segundo trimestre de 2026 divulgado pelo World Gold Council (WGC), o uso global de ouro no setor de tecnologia atingiu 80,4 toneladas no período. Desse volume, a fabricação de eletrônicos respondeu por 68,3 toneladas, registrando uma alta de 4% em relação ao ano anterior. Segundo o conselho, a demanda estruturada em torno do desenvolvimento de ferramentas e infraestrutura de IA ajudou a sustentar o consumo do metal no segmento, mesmo diante de um cenário mais fraco para eletrônicos de consumo.

Ao mesmo tempo em que novas aplicações ampliam a relevância tecnológica do ouro, cresce também a atenção sobre como esse metal é produzido. No Brasil, movimentos recentes como o Plano Nacional de Mineração 2050 e o avanço da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos reforçam uma agenda pautada por inovação, rastreabilidade, eficiência produtiva e responsabilidade socioambiental.

É nesse contexto que a Aura vem estruturando iniciativas para combinar produção mineral, eficiência operacional e redução de impactos nos territórios onde atua. Na unidade Borborema, em Currais Novos (RN), por exemplo, a companhia opera com 100% de água de reúso externa no processo industrial, a partir do tratamento de efluentes domésticos do município. A operação ilustra como as exigências ambientais e de segurança hídrica passaram a influenciar diretamente o desenho de novos projetos minerais.

Para viabilizar esse modelo, a Aura investiu R$ 48,4 milhões na implantação de uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) e de uma adutora de 27 quilômetros em parceria com a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN) e o município. O sistema trata cerca de 1.680 m³ de esgoto doméstico por dia, equivalente a aproximadamente 65% do volume coletado em Currais Novos, transformando um efluente urbano em insumo para a operação mineral e reduzindo a pressão sobre os mananciais de água doce da região.

“Para operar no Seridó, que é uma região semiárida com secas históricas, decidimos de forma voluntária não competir pelo uso da água com as pessoas, ainda que a outorga legal nos permitisse fazer a captação tradicional de mananciais”, pontua Rodrigo Barbosa, CEO da Aura. “Ao captar e tratar o esgoto doméstico que antes corria sem tratamento para os rios locais, nós eliminamos essa concorrência por água doce e ajudamos a sanar um passivo sanitário histórico de Currais Novos, mostrando que o desenvolvimento mineral pode andar de mãos dadas com a segurança hídrica local”.

Diversificação Econômica e Legado de Pós-Mineração

Preparar os territórios para o encerramento da atividade mineral também passa pela criação de novas vocações econômicas. Em Honduras, a Aura desenvolve o projeto piloto Sementes da Esperança (Semillas de Esperanza), que avalia a viabilidade da vitivinicultura em uma área de um hectare anteriormente vinculada à operação da Minosa. Conduzida pela Fundação San Andrés, a iniciativa prevê investimentos de cerca de US$ 1 milhão nos primeiros cinco anos.

Entre 2024 e 2025, foram plantadas 1.440 videiras, com taxa de sobrevivência de 84%. O projeto avança agora para uma nova etapa, com mais 4.000 mudas e testes de novas variedades. Em escala industrial, a iniciativa tem potencial para gerar até 250 empregos diretos e contribuir para a diversificação econômica da comunidade no pós-mineração.

“A mineração tem início, meio e fim, e por isso precisamos pensar desde cedo em como evitar a dependência exclusiva dos territórios, deixando novas vocações econômicas para o pós-mineração, ao mesmo tempo em que respondemos com mais rigor, eficiência e responsabilidade à crescente relevância do ouro em cadeias tecnológicas sofisticadas, tornando inovação, segurança hídrica e desenvolvimento regional partes indissociáveis da sustentabilidade da nossa atividade”, afirma o CEO da Aura.

Alinhamento com Padrões Internacionais

A empresa segue as diretrizes estabelecidas pelos Princípios de Mineração Responsável de Ouro (RGMPs), criados pelo World Gold Council para regular frentes de ética, saúde ocupacional, direitos humanos, eficiência energética e conservação da biodiversidade. No primeiro ciclo de auditoria independente sobre esses princípios realizado na Aura em 2024 (conduzido pela consultoria especializada Kumi), a companhia registrou 90% de aderência às diretrizes, e segue trabalhando para atingir o nível de conformidade total.

Sobre a Aura

A Aura é uma empresa focada no desenvolvimento e operação de projetos de ouro e metais básicos nas Américas. A Companhia possui seis minas em operação, incluindo a mina de ouro Minosa, em Honduras; as minas de ouro Apoena, Almas, Borborema e Mineração Serra Grande, no Brasil; e a mina de cobre-ouro-prata Aranzazu, no México. Além disso, a Companhia possui Era Dorada, um projeto de ouro na Guatemala, e dois projetos no Brasil: Matupá, em desenvolvimento, e o projeto de cobre Carajás, na fase de exploração.