“Também precisamos vencer outro vírus – o vírus da indiferença”
Declaração do secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre o surto de ebola na República Democrática do Congo, em 27 de agosto.
Gostaria de começar com algumas palavras sobre as terríveis enchentes no Nepal e na China. Apresento minhas mais profundas condolências às famílias das vítimas e expresso minha solidariedade a todas as pessoas afetadas. As Nações Unidas estão mobilizando suprimentos e equipes humanitárias, e nos comprometemos a apoiar os esforços nacionais para fornecer ajuda e apoio emergencial.
Gostaria de apresentar uma atualização sobre o surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC), juntamente com um apelo urgente para que se intensifiquem as ações para controlá-lo.
Minha mensagem principal é esta: Este surto é a epidemia de ebola com crescimento mais rápido já registrado. Ele está se espalhando mais rápido e em maior escala do que a resposta para contê-lo. Mas ele pode ser detido.

Sabemos como conter o ebola – como interromper a transmissão – e como salvar vidas. Mas também precisamos vencer outro vírus – o vírus da indiferença.
Porque a atenção internacional, o foco político e os recursos ainda estão abaixo da realidade que se desenrola.
A crise do ebola é, antes de tudo, uma tragédia humana que afeta famílias e comunidades em uma escala extraordinária.
Atualmente, é o maior surto de ebola da história da RDC.
Até 25 de agosto, 5.713 casos foram confirmados, causando 2.744 mortes.
E com cerca de 500 novos casos sendo registrados a cada semana, o surto continua a se expandir por uma vasta área – com mulheres e crianças sendo especialmente afetadas.
O desafio é imenso.
Estamos enfrentando uma emergência de saúde pública em um dos contextos mais frágeis do mundo.
Por exemplo, três décadas de conflito somente na província de Ituri já deslocaram um milhão de pessoas e enfraqueceram gravemente o acesso a alimentos, assistência médica e outros serviços básicos.
Em toda a região, mais de 12 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária e proteção.
Enquanto isso, os sistemas de saúde estão sobrecarregados. A infraestrutura é precária. Comunidades inteiras continuam difíceis de serem acessadas.
Os profissionais da linha de frente também estão atuando em condições perigosas.
Mais de 40 profissionais de saúde perderam a vida na tentativa de salvar outras pessoas.
Profissionais de saúde foram infectados. Centros de tratamento e ambulâncias foram atacados.
Os trabalhadores humanitários enfrentam tanto a ameaça do vírus quanto a ameaça da violência.
Eles merecem nosso reconhecimento e apoio.

O Governo da República Democrática do Congo está liderando a resposta – com as Nações Unidas, lideradas pela Organização Mundial da Saúde, e parceiros unindo forças para ajudar.
Nomeamos um coordenador sênior da ONU para o Ébola – e estamos nos alinhando em torno de cinco prioridades:
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Primeiro, o envolvimento da comunidade está sendo ampliado para construir confiança e combater o medo e a desinformação.
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Segundo, os sistemas de vigilância estão sendo fortalecidos para identificar e isolar casos mais rapidamente.
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Terceiro, a capacidade de tratamento e atendimento está sendo ampliada.
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Quarto, as operações de enterro seguro e digno estão sendo ampliadas.
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E, quinto, estamos trabalhando para impedir que o ebola se espalhe ainda mais.
O rio Congo e as rotas movimentadas da região conectam milhões de pessoas e comunidades.
Por isso, estamos reforçando a preparação e a coordenação com o Sudão do Sul e a República Centro-Africana.
O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças também está desempenhando um papel fundamental, mobilizando conhecimentos especializados e solidariedade em toda a região.
Juntamente com muitos parceiros dedicados, esses esforços estão ajudando a construir uma resposta integrada no terreno.
Mas sejamos claros:
Cada lacuna no financiamento e no apoio operacional torna a resposta ao ebola mais desafiadora.
Estamos fazendo todo o possível para investir nessa resposta – inclusive por meio de mais de US$ 80 milhões provenientes de fundos comuns da ONU e do apoio de parceiros.
Apresentamos um plano detalhado de necessidade e resposta humanitária no valor de US$ 2,13 bilhões.
Este plano está 48% financiado – em grande parte graças a uma importante contribuição dos Estados Unidos.
Mas os recursos atuais durarão semanas – não meses.
Sem financiamento adicional, operações vitais ficarão sem recursos justamente quando precisam ser expandidas.
É por isso que estou apelando pelos US$ 1,1 bilhão restantes para financiar integralmente o plano de resposta humanitária, reconhecendo que ainda será necessário muito mais no futuro.
O mundo ainda tem a oportunidade de se antecipar a essa crise.
Mas o tempo não está a nosso favor.
O surto de ebola merece muito mais atenção do que está recebendo hoje.
As comunidades afetadas merecem muito mais assistência.
E os esforços de resposta merecem muito mais apoio.
O mundo tem o conhecimento, os meios e os recursos para conter esse surto.
É hora de reunir a determinação coletiva para agir antes que o custo se torne mais mortal, mais difícil e mais caro.
Obrigado.
