A recuperação de ecossistemas degradados começa a ganhar contornos de infraestrutura estratégica no país.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um aporte de R$ 151,8 milhões, via Fundo Clima, para a restauração de 15 mil hectares na Mata Atlântica. O projeto foca inicialmente no Norte Fluminense, região que apresenta um dos cenários mais críticos de supressão vegetal dentro do bioma.
🧬 Conectividade e Integração de Paisagem
A estratégia técnica da intervenção supera o mero plantio isolado de árvores. A execução foca na recomposição de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais (RLs) utilizando exclusivamente um arranjo de espécies nativas. O objetivo ecológico é restabelecer a conectividade entre os fragmentos florestais remanescentes, recriando corredores que viabilizem o fluxo gênico vital para a manutenção da fauna silvestre.
Para garantir a viabilidade territorial contínua, o projeto adota os Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Essa abordagem insere o produtor rural na equação da conservação, recuperando a produtividade agronômica de solos exauridos enquanto fomenta a adequação ambiental voluntária das propriedades.
📈 A Cadeia Produtiva da Bioeconomia
A verdadeira transição climática exige escala e a criação de uma economia em torno da floresta viva. A operação estima gerar mais de 800 postos de trabalho, estruturando a base da silvicultura de nativas: mapeamento de matrizes florestais, coleta especializada de sementes, expansão de viveiros e manejo silvicultural de longo prazo.
Reabilitar essa extensão no bioma que abriga cerca de 35% das espécies vegetais do Brasil é uma medida primária de adaptação. A nova cobertura atua ativamente na recarga de aquíferos, na regulação do microclima e na proteção do solo contra a erosão gerada por extremos climáticos.
