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Trabalhar sob o sol exige cuidados

Trabalhar sob o sol exige cuidados

O verão chegou e, com ele, as altas temperaturas e a alta incidência de radiação ultravioleta. Em João Pessoa, é um período em que as praias costumam ficar cheias e quem trabalha nessa região vê o faturamento aumentar, mas passar o dia no sol tem suas dificuldades e, sem cuidado, o trabalhador pode acabar passando mal.

Vendedor ambulante, Victor Gabriel trabalha na areia da praia, mas faz questão de se proteger completamente do sol. Mangas compridas, sapato fechado, luvas, chapéu, óculos escuros e até uma espécie de máscara de tecido, que cobre parcialmente o rosto, fazem parte do seu arsenal, além, é claro, do protetor solar. “A gente tem que se lembrar que o Brasil é pioneiro, infelizmente, em câncer de pele”, disse ele.

Dados do Ministério da Saúde apontam que os tumores na pele são o tipo de câncer mais comum no país, chegando a representar 30% de todos os casos da doença registrados no Brasil. É importante lembrar que não só pessoas de pele clara estão sujeitas à doença.

O calor também pode levar à desidratação, por isso o vendedor de passeios turísticos Marcelo Santos, que trabalha na região do Busto de Tamandaré, contou que acaba gastando de R$ 15 a R$ 20 diariamente comprando água mineral para consumir enquanto trabalha. Além disso, ele afirma que tem três tipos de farda para trabalhar,com blusas de mangas compridas e chapéus grandes. “Nós dependemos do solpara trabalhar mas temos que nos proteger das consequências ruins dele”, disse. Edilson Soares realizaserviços em diversos condomínios e, para isso, locomove-se de moto pela cidade, então acaba se expondo muito ao sol. “Uso bastante protetor solar, blusa de proteção a raios ultravioleta [UV], ainda uso luvas, que protegem também bastante,mesmo assim, antes de colocar a luva, ainda passo protetor solar e me hidrato bem. Isso é o que eu procuro fazer no meu dia a dia”, disse so é o que eu procuro fazer no meu dia a dia”, disse.

Ele destacou ainda que, quando não está com o capacete da moto, usa chapéu. “E tem que ter sempre uma garrafinha de água, né? Sempre estou me hidratando, porque é muito calor. Como eu trabalho muito em condomínios, sempre, quando eu chego, me hidrato. Se não, eu não aguento”, afirmou. Ele lembrou que já chegou a se sentir mal em um dia muito quente e acredita que o problema foi causado por desidratação. “Já aconteceu algumas vezes. Aí tem que parar numa sombra, beber bastante água, dar um tempo ali para recuperar. Mas o que eu percebi foi exatamente a falta de beber água”.

Outro profissional que já precisou parar um pouco devido ao calor excessivo foi o motorista por aplicativo José Fernando. Isso porque, embora tenham uma relativa proteção do sol, o interior dos veículos fica muito quente. “O termômetro do carro está marcando 35 ºC aqui dentro, isso torna o trabalho muito desgastante. Eu tento usar muito ar-condicionado, mas tem certos momentos aqui que nem o equipamento ajuda”, comentou.

José Fernando destacou ainda, que o uso do ar-condicionado tem suas desvantagens, pois consome mais combustível e tende a ressecar a pele. “A gente tem que usar um hidratante”, contou. Além disso, o motorista frisou que não dá para esquecer o protetor solar e mostrou que o braço esquerdo, que fica do lado da janela, estava bronzeado, com uma diferença de cor entre a parte do braço que fica coberta pela camisa e a parte que fica exposta.

Quando questionado se já precisou parar de trabalhar por conta do calor, ele respondeu que sim relatando o ocorrido: “Eu passei mal e tive que encostar o carro para descansar um pouquinho”, lembrou.

Bombeiros reforçam segurança nas praias durante alta estação

A chegada do verão também intensifica o trabalho dos guarda-vidas, do Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba. “Na verdade, antes do verão, a gente já começa a intensificar o trabalho. Meados de setembro, depois daschuvas, geralmente aumenta muito o fluxo de turistas. Então, a partir de setembro,a gente já começa a intensificar o trabalho, com dezembro sendo o nosso foco, a partir da abertura da Operação Verão”, disse o capitão Demilson. Segundo ele, a maior demanda para esses profissionais são os casos de afogamento, mas isso depende umpouco da praia. Nas praias de Tambaú e Cabo Branco, por exemplo, que costumam ser mais lotadas, uma ocorrência comum é a de crianças perdidas. “Às vezes crianças se perdem, às vezes os paisestão um pouco desatentos ali, muitas vezes por conta de bebida alcoólica e gera essa celeuma na qual a gente atua”, contou.

Outra questão são as queimaduras causadas por caravelas que, segundo ele, são comuns no mês de janeiro. Além disso, também há as ocorrências de primeiros socorros por desidratação, calor e até ansiedade. “As pessoas estão com ansieda de ali, ou então por insolação também, as pessoas às vezes desidratam, vão para a praia, não usam roupa adequada, não passam um protetor. Agente orienta a usar sempre chapéu, malhas que protegem, são coisas que evitam; levar uma água de coco, uma água, principalmente se tivercriança”, aconselhou. As regras também se aplicam aos próprios bombeiros que estão trabalhando na praia. “A gente trabalha com isso, então utilizamos malhas, chapéu, óculos escuros, protetor solar. Recebemos tudopela corporação e utilizamos diariamente para tentar minimizar os danos do sol”.

Saiba Mais

* Partes do corpo mais expostas
• Rosto;
• Couro cabeludo;
• Orelhas;
• Nuca;
• Lábios;
• Dorso das mãos.

*Cuidados importantes
• Protetor Solar
Ele é indicado para todos os tipos de pele. No entanto, é preciso cuidado na escolha do fator de proteção. Quanto mais sensível a pele, maior o fator de proteção.

*Hidratação
Altas temperaturas fazem o corpo inchar ainda mais os pés de quem caminha pela construção, pelo asfalto etc. Tomar água ao longo do dia mantém a temperatura do corpo estável e evita desgaste físico.

• Alimentação
Durante longas jornadas de trabalho no sol é importante estar bem alimentado para evitar pressão baixa, tonturas, dores de cabeça e outros sintomas de fraqueza. A exposição prolongada aosraios solares pode trazer complicações severas em longo prazo para a saúde dos seus colaboradores. Isso porque, com o passar do tempo, é possível desenvolver o câncer de pele — o que podepassar despercebido pelos trabalhadores, já que a condição se apresenta como pequenas pintas ou manchas na pele; aqueles que estão expostos ao sol constantemente precisam ser conscientizados sobre a necessidade de acompanhamento de novas manchas, recebendo o incentivo de analisar se há algum tipo de problema que mereça uma avaliação médica.

*Outras condições de saúde podem surgir durante as atividades realizadas em exposição aos raios solares, tais como:
• Desidratação;
• Insolação;
• Queimaduras na pele;
• Ressecamento da pele;
• Tonturas.

*Equipamentos de proteção individual (EPIs) indispensáveis para o trabalho no sol É importante estar atento aos principais EPIs que devem ser utilizados durante a execução de atividades expostas à radiação solar. Confira os principais a seguir:
• Óculos de proteção;
• Capacetes;
• Roupas adequadas para a proteção contra a radiação solar (blusas de manga longa, calças compridas, chapéus com aba larga em casos em que o capacete é dispensável, entre outros). O uso de EPIs para trabalho no sol é um dos pontos que auxiliam na proteção dos trabalhadores, evitando que eles adoeçam, tanto em curto prazo quanto em longo prazo.